JUSTIÇA – Ex-ministro da Justiça nega envolvimento em plano de golpe de Estado e fraude eleitoral em depoimento à Polícia Federal

No dia 22 de fevereiro, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, prestou depoimento à Polícia Federal em Brasília e afirmou categoricamente que em nenhum momento, no Palácio da Alvorada, tratou de golpe de Estado ou qualquer tema relacionado à abolição do Estado Democrático de Direito, Garantia da Lei e da Ordem, Estado de Sítio, Estado de Defesa, intervenção militar ou assuntos semelhantes.

Durante a oitiva, Torres ressaltou que nunca questionou a lisura do sistema eleitoral brasileiro e não endossou as declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre possíveis fraudes nas urnas eletrônicas. Essas declarações foram feitas em resposta a perguntas dos agentes da PF sobre a reunião ministerial de 5 de julho de 2022, presidida por Bolsonaro e que está sob investigação por suspeita de tentativa de golpe de Estado.

No depoimento tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, Anderson Torres confirmou sua presença na reunião convocada pela Presidência da República, porém, não soube informar quem organizou o encontro. Ele também destacou que não tinha conhecimento sobre a presença de Walter Braga Netto e Filipe Barros, que não faziam parte do governo, naquela reunião.

Sobre a apreensão da minuta de decreto do Estado de Defesa em sua residência, o ex-ministro afirmou não ter redigido o documento e não saber sobre seu conteúdo. Além disso, negou qualquer participação em planos relacionados ao monitoramento ou prisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. Torres também negou divulgação de informações falsas sobre vulnerabilidades eleitorais e afirmou não ter pedido a seus ministros que disseminassem notícias sobre fraudes nas eleições.

Em relação à declaração polêmica sobre possível reeleição de Bolsonaro, onde afirmou que “todos vão se foder”, Torres esclareceu que se tratava de um chamamento para que os ministros atuassem em suas pastas de maneira a contribuir com o processo eleitoral. Ele ainda explicou que a expressão utilizada não tinha conotação negativa, mas sim uma referência à possibilidade de perda dos avanços conquistados durante seu governo.

Por fim, ao ser questionado sobre a suposta relação do Partido dos Trabalhadores com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o ex-ministro esclareceu que se baseou em reportagens sobre o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e ressaltou desconhecer o andamento das investigações da Polícia Federal sobre o assunto.

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