As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, revelaram que os ex-agentes participaram de atividades ilegais entre outubro de 2019 e janeiro de 2023. O foco principal de suas operações era o abastecimento do mercado clandestino de armas e munições na região central de São Paulo, particularmente na área conhecida como Cracolândia.
Além de armas, o grupo também comercializava dispositivos para bloqueio de sinais de radiofrequência, utilizados na ocultação de veículos furtados. O esquema criminoso prosperou em um contexto de degradação social e alta incidência de atividades ilícitas nessa parte da cidade, que se tornou um ponto central para o consumo e tráfico de drogas. O GAECO esclareceu que o comércio clandestino de armas fazia parte de uma rede criminal mais ampla, que incluía receptação, tráfico de drogas, exploração de jogos de azar e corrupção de servidores públicos.
A Cracolândia é marcada por um cenário de consumo aberto de drogas, onde é possível observar o uso de diversas substâncias, especialmente álcool. Este local, historicamente, abrigou não apenas usuários, mas também células de tráfico e receptação. Recentemente, no entanto, operações de dispersão realizadas pelas autoridades têm reduzido a aglomeração de dependentes químicos na área. Muitos moradores de rua que costumavam frequentar a região foram direcionados para outras localidades da cidade, como Raposo Tavares, Cidade Tiradentes, Vila Leopoldina e Jardim Ângela. Hoje, ainda são visíveis pequenos grupos de pessoas consumindo entorpecentes na Cracolândia, mas em número reduzido, com menos de 15 indivíduos, evidenciando a eficácia, ainda que parcial, das medidas adotadas pelas autoridades de segurança pública.
