JUSTIÇA – Dr. Jairinho apresenta traços de perversidade, afirma psiquiatra em julgamento pela morte do menino Henry Borel; defesa critica depoimento como inadequado.

O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, tomou um novo rumo nesta quarta-feira, quando o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro depôs como testemunha de acusação no caso da morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. Bernardon, que foi contratado pelo pai da vítima, Leniel Borel, apresentou um perfil psicológico do réu, caracterizando-o como alguém com traços de perversidade e uma inclinação a infligir dor em crianças.

O psiquiatra, que se formou na Universidade de São Paulo (USP), revelou que, após analisar depoimentos e conversas com aqueles que conviveram com Jairinho e sua companheira na época, Monique Medeiros, pôde estabelecer um padrão de comportamento preocupante. “Havia uma repetição de atitudes que demonstra prazer em causar sofrimento, voltado especificamente para crianças”, afirmou o especialista.

Durante seu depoimento, Bernardon trouxe à tona casos de outras crianças que, segundo ele, foram vítimas de Jairinho. Citou exemplos alarmantes, como uma menina de três anos que teria sofrido agressões sob a supervisão do ex-vereador e uma criança que teria fraturado o fêmur em circunstâncias similares. Para o psiquiatra, esses relatos contribuem para um entendimento mais profundo da periculosidade de Jairinho, que, segundo ele, possui um padrão de atuar com crueldade.

A defesa de Jairinho reagiu imediatamente ao testemunho, questionando a ética do psiquiatra em elaborar um perfil sem ter contato direto com o réu. O advogado Rodrigo Faucz disparou críticas, alegando que o médico apenas expôs impressões pessoais, desconsiderando a ausência de entrevistas diretas com os acusados. Faucz também destacou que a juíza já havia negado a oitiva do especialista em uma fase anterior do processo, argumentando que ele foi chamado apenas para sustentar a narrativa da acusação.

Além disso, a defesa de Monique também buscou impugnar o testemunho de Bernardon, reforçando o argumento de que a falta de entrevistas diretas comprometeria a validade de suas constatações.

O julgamento, que está em andamento, já se estende por dias e contempla uma série de testemunhos e evidências que revelam a gravidade do caso. Entre os próximos depoimentos, aguarda-se a presença de médicos que atenderam Henry no dia da sua morte, e de policiais que investigaram a situação, em uma trama que expõe não apenas a tragédia da perda do menino, mas também questões profundas sobre a proteção infantil e a dinâmica familiar.

Ambos os réus enfrentam diversas acusações; Jairinho é imputado por homicídio qualificado, tortura e fraude processual, enquanto Monique pode responder por homicídio, tortura e coação, entre outros crimes. O tribunal seguirá com a avaliação de provas e depoimentos, com o desfecho aguardado por uma sociedade que busca justiça em um caso tão impactante.

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