JUSTIÇA – Desembargadora anula eleição da Alerj e impede escolha de novo presidente em meio a crise política no Rio de Janeiro. Justica determina retotalização de votos.

A desembargadora Suely Lopes Magalhães, atual presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, tomou uma decisão crucial ao anular a votação que elegeu Douglas Ruas (PL) como presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na quinta-feira (26). A decisão foi fundamentada na necessidade de uma retotalização dos votos antes que qualquer processo eleitoral pudesse ser realizado na Alerj.

Suely Magalhães baseou sua avaliação na determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendia a contagem de votos até que a retotalização fosse concluída. Esta retotalização não diz respeito apenas a uma formalidade, mas é um elemento essencial para assegurar a legitimidade do colégio eleitoral da Alerj, que precisa estar em conformidade para a escolha de seu novo presidente. O TSE havia cassado o mandato do deputado Rodrigo Bacellar, o que gerou a vacância do cargo e uma série de implicações diretas na política estadual.

A desembargadora enfatizou que a mesa diretora da Alerj não considerou de forma suficiente as orientações do TSE, permitindo que a eleição para a presidência fosse iniciada sem acolher a necessidade de retotalizar os votos. Para ela, esse atendimento é vital para garantir a integridade do processo eleitoral e, consequentemente, da própria composição da Casa Legislativa.

Suely Magalhães declarou que o procedimento realizado pela mesa diretora desconsiderou a totalidade da decisão do TSE, interferindo não apenas na escolha do novo presidente, mas também na definição do futuro governador do estado. Essa situação se tornou ainda mais complexa após a renúncia do governador Cláudio Castro, que se retirou do cargo no intuito de concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro. O governador enfrentava, além disso, um processo por abuso de poder político e foi considerado inelegível até 2030.

A intervenção da Justiça Eleitoral se torna ainda mais significativa diante do panorama político do estado, que desde a saída de Castro, tem sido administrado interinamente por Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça. Enquanto isso, a Alerj terá que aguardar a retotalização dos votos, marcada para a próxima terça-feira (31), antes de qualquer novo avanço no processo eleitoral. Essa situação evidencia a fragilidade política e institucional do Rio de Janeiro, refletindo um momento de incertezas que pode impactar diretamente a governança e a estabilidade do estado.

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