As denúncias foram encaminhadas à Auditoria da Justiça Militar, sinalizando um possível desvio de conduta por parte dos agentes. A investigação foi desencadeada após relatos de testemunhas ao plantão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, que serve como um canal para receber queixas sobre violações de direitos fundamentais durante operações policiais. A partir dessas informações, o MPRJ começou a apurar as ações de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que estavam atuando em conjunto com o Comando de Operações Especiais (COE).
De acordo com os detalhes da investigação, os policiais entraram em várias residências da comunidade sem a devida autorização judicial, muitas vezes na ausência dos moradores. Um dos casos mais alarmantes envolveu o cabo Rodrigo da Rocha Pita, que, junto a outros policiais, utilizou uma chave do tipo “mixa” para abrir portas e permitir o acesso aos imóveis. Em algumas situações, os agentes chegaram a surpreender pessoas em suas casas e alegadamente usaram os espaços para fins pessoais, como descansar e consumir bebidas que encontraram nos locais invadidos.
A denúncia também aponta irregularidades no uso de câmeras corporais, essenciais para a transparência e a documentação das ações dos policiais. Há relatos de que alguns agentes, como Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes, teriam obstruído as câmeras intencionalmente, enquanto outros, como o cabo Jorge Guerreiro Silva Nascimento, desviaram o foco das câmeras de modo a dificultar a captação correta das ações realizadas durante a operação.
O MPRJ trouxe à tona que, além dos dez policiais citados, foram mencionados diversos outros, incluindo sargentos e tenentes, os quais receberam acusações relacionadas ao descumprimento das missões que lhes eram designadas. A Corregedoria-Geral da PM já instaurou um procedimento investigativo em resposta às acusações, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a transparência, ao mesmo tempo que se disponibilizou para colaborar com o Ministério Público nas investigações.
A população continua a ser incentivada a relatar quaisquer violações de direitos que possam presenciar em operações policiais, com canais específicos estabelecidos para facilitar essas denúncias.






