Os promotores cumpriram nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Teresópolis, em um esforço para desmantelar a rede corrupta que, segundo o MPRJ, se utilizava do IRM para fraudar contratos. Esta autarquia estadual tem como atribuição o desenvolvimento de projetos nas áreas de mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação.
Além de Davi Vermelho, também foram denunciados outros dez envolvidos, todos enfrentando acusações sérias, incluindo organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia apresentada na 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa revela um modus operandi detalhado, onde contratos inflacionados firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 serviram como base para o desvio de recursos. Conforme esclarecido, duas empresas receberam pagamentos massivos que, subsequentemente, eram repassados ao Instituto Bio, uma ONG que, conforme os investigadores, não possuía estrutura para as atividades contratadas.
O foco da investigação foi intensificado após a apuração de que a presidente da ONG, Caroline Soares Barros, foi flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, um elemento que disparou o interesse do MPRJ na questão. O esquema de corrupção, segundo as autoridades, contava ainda com a colaboração de uma empresa de escolta armada, responsável por dificultar o rastreamento do dinheiro desviado.
Entre os denunciados, figura Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor do IRM e pai de um deputado estadual, que teve seu nome associado ao direcionamento de licitações. O deputado se declarou surpreso com a operação e negou envolvimento, enquanto outros denunciados incluem Franquis Dias Nepomuceno, um delegado da Polícia Civil, e Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado que supostamente forneceu respaldo jurídico às contratações irregulares.
O MPRJ já solicitou à Justiça o bloqueio e o sequestro dos bens dos envolvidos, além de um pagamento de R$ 200 milhões por danos morais coletivos. O governo do estado, através de uma nota oficial, ressaltou que a operação é fruto de um trabalho conjunto entre diversas instituições e reafirmou seu compromisso na investigação. Essa situação ocorre em um contexto político conturbado no estado, onde o cargo de governador está atualmente sob a responsabilidade de um desembargador, após a renúncia do ex-governador, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por práticas irregulares nas eleições de 2022.
