Ramos-Horta enfatizou a necessidade de compreensão das origens do conflito ucraniano, sugerindo que a crise não é uma questão que surgiu abruptamente. Ele argumentou que as dinâmicas históricas que envolvem a Ucrânia e sua interação com a Rússia são complexas e exigem sensibilidade. O presidente comparou a situação na Ucrânia à falta de delicadeza que governos da região dos Bálcãs demonstraram no passado em relação às minorias sérvias. Essa analogia busca ilustrar a importância do reconhecimento e respeito às diversidades culturais e étnicas nas relações internacionais.
Durante a conversa, o líder timorense alertou o Ocidente sobre o impacto da expansão da OTAN, observando que, após o fim da Guerra Fria, houve compromissos que garantiam não invadir a esfera de segurança russa. Ele citou as promessas feitas durante as negociações de desmantelamento do Pacto de Varsóvia e a retirada das tropas russas da Europa Oriental como base para sua argumentação. Ramos-Horta sustentou que a continuação da expansão da OTAN representa uma irritação para a Rússia e um fator que pode agravar ainda mais as relações internacionais.
A postura de Timor-Leste, sob a liderança de Ramos-Horta, reflete uma busca por cautela e diplomacia em meio a um cenário global em constante mudança, onde pequenos países procuram afirmar suas vozes e influenciar discussões que afetam a paz e a segurança mundial. A chamada para respeitar a soberania e a segurança da Rússia destaca um desejo mais amplo por um diálogo que priorize a paz e a estabilidade em vez de uma escalada militar. Com isso, Ramos-Horta se posiciona como um defensor não apenas dos interesses de seu país, mas também como um interlocutor importante no debate sobre a segurança global.