Jeitto Fecha Escritórios e Demite 30% de Funcionários em Reestruturação, Aumentando Insegurança no Ambiente de Trabalho

Demissões Marcantes no Jeitto: Reestruturação e Impacto Interno

Na última terça-feira, 12 de maio, a fintech Jeitto, conhecida por oferecer serviços de crédito e consumo às classes C e D, implementou uma série de demissões que afetaram aproximadamente 30% de seu quadro de funcionários. Embora a empresa tenha contradito essa informação, alegando que o movimento representou menos de 10% das posições, relatos de ex-colaboradores indicam que a onda de cortes foi significativa e abrangente, atingindo setores como marketing, recursos humanos, finanças, tecnologia e jurídico.

Nos dias que antecederam as demissões, a comunicação interna foi marcada por um silêncio ensurdecedor. No dia 11 de maio, a liderança anunciou, via Slack, que o escritório ficaria fechado e que todos deveriam adoptar o trabalho remoto, sem fornecer maiores esclarecimentos. Foi somente na manhã seguinte que os funcionários começaram a receber a notícia de seus desligamentos em videochamadas que, segundo os relatos, duravam poucos minutos e seguiam um roteiro protocolar. A frieza no tratamento deixou muitos ex-colaboradores com uma sensação de desamparo.

“Foi um momento bem estrutural. Minha liderança apenas mencionou que estava sendo desligado devido a uma reestruturação”, disse um ex-funcionário, ressaltando a desconexão emocional do processo. Outro colaborador expressou um sentimento semelhante, descrevendo a experiência como apática, com um ambiente de trabalho que agora se tornava pesado para aqueles que permaneceram.

Esses sentimentos de insegurança e incerteza têm se espalhado entre os que permanecem na empresa, que se vêem obrigados a lidar com um clima de temor em relação a novas demissões. A fintech, por sua vez, segue buscando uma meta ambiciosa de atingir R$ 1 bilhão em Margem de Juros Líquida este ano, após não ter conseguido cumprir suas metas no último trimestre.

Curiosamente, ao mesmo tempo que promove cortes, a Jeitto mantém várias vagas abertas em seu portal, com oportunidades em áreas estratégicas. Essas contratações simultâneas geram questionamentos sobre a real necessidade dos desligamentos e a comunicação da empresa em relação a suas metas e estratégias.

A Jeitto, que foi fundada em 2014 e já possui mais de 15 milhões de clientes, se posiciona como alternativa para quem está excluído do sistema bancário tradicional. Contudo, este recente episódio de demissões lança uma sombra sobre sua missão declarada e sobre a relação com seus colaboradores, que, diante das mudanças, podem se sentir mais desprotegidos.

O CEO, Fernando Silva, falou sobre a “transformação tecnológica” que a empresa está atravessando e mencionou planos para captação de recursos visando aquisições futuras. Ele também havia descartado, em conversas anteriores, a possibilidade de novas demissões, o que torna a situação ainda mais complexa.

Com esse cenário, o Jeitto se depara com uma encruzilhada: a necessidade de reestruturação e eficiência pode ser positiva, mas o impacto humano das demissões e a ansiedade gerada entre os colaboradores são questões que merecem reflexão e atenção. A empresa, que busca ser a maior plataforma de crédito e consumo do Brasil, precisará cuidar não apenas de suas operações financeiras, mas também das relações humanas que sustentam seu crescimento.

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