O encontro foi convocado em caráter urgente após a chegada de um grande número de migrantes ao Ceuta, o que levou o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni a suspender temporariamente o Acordo de Schengen com a Espanha. Este acordo, que facilita a livre circulação de pessoas entre os países da União Europeia, está em questão devido à pressão exercida pela entrada maciça de migrantes.
O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, apresentará um plano que prevê a alocação de migrantes em centros situados em países não membros da União Europeia, com suporte financeiro da própria instituição. A proposta já conta com uma lista preliminar de nações que poderiam sediar esses centros, que inclui tanto nações africanas — como Gana, Egito e Líbia — quanto países da Europa e da Ásia, como Montenegro, Armênia e Uzbequistão.
É importante ressaltar que a Itália já experimentou um modelo similar com a Albânia, onde migrantes que tentaram cruzar suas fronteiras pelo Mar Mediterrâneo são enviados. Embora esse acordo tenha enfrentado resistência legal em território italiano, uma recente legislação aprovada pelo Parlamento Europeu oferece um respaldo que faria da extensão desse tipo de política algo mais palatável para o bloco.
Além da proposta dos centros de triagem, Piantedosi deverá enfatizar a necessidade de uma aplicação rigorosa do programa “GSP+”, que vincula benefícios comerciais da UE à cooperação dos países em desenvolvimento na repatriação de migrantes em situação irregular.
Contudo, a iniciativa não está livre de controvérsias. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, criticou duramente a postura italiana diante do recente afluxo de migrantes em Ceuta, alega que a Itália não tem agido com a responsabilidade esperada diante da situação. Essa tensão entre os Estados-membros da União evidencia os desafios políticos e sociais que a Europa enfrenta em relação à imigração.
