Zazula conduziu um estudo com 200 ratas da linhagem Wistar para investigar os efeitos de variadas doses de ômega-3 durante a gestação. A pesquisa baseou-se em um conceito da toxicologia chamado hormese, que sugere que uma substância pode ter efeitos distintos dependendo da dose, ou seja, pode ser benéfica em certas quantidades e danosa em outras. A rigorosa análise considerou também o campo de estudo conhecido como DOHaD, que relaciona as condições gestacionais à saúde ao longo da vida.
O ômega-3 é essencial para várias funções biológicas, principalmente o desenvolvimento cerebral e a saúde cardiovascular. No entanto, a suplementação em excesso pode ser arriscada. Zazula destaca que pesquisas anteriores indicam que doses superiores a 3 gramas diárias de EPA e DHA exigem cuidadoso monitoramento devido ao potencial de efeitos adversos. Além disso, quando a suplementação ultrapassa de 4 a 6 gramas diárias, os benefícios cardiovasculares podem se estabilizar ou até reverter.
A complexidade da situação aumenta quando se observa que, apesar das evidências, os limites de toxicidade do ômega-3 durante a gestação ainda não são claramente definidos. Portanto, a regulamentação de suplementos é fragmentada e varia conforme o país, tornando urgente a necessidade de diretrizes mais precisas.
O estudo de Zazula foi desenvolvido em três etapas para avaliar, primeiramente, as doses de ômega-3 e ômega-6 que provocavam alterações benéficas e adversas. Em seguida, ele analisou os impactos de doses consideradas inseguras na saúde materna e, finalmente, o desenvolvimento dos filhotes até a fase adulta. Os resultados indicaram que doses entre 1 e 2 gramas por quilo preservavam efeitos positivos, enquanto doses mais altas provocavam aumento da gordura abdominal e sintomas de síndrome metabólica nas mães.
Além disso, o excesso de ômega-3 levou a resistência à insulina e alterações no transporte de nutrientes essenciais através da placenta. Consequentemente, os filhotes das mães que ingeriram quantidades excessivas de ômega-3 enfrentaram maior mortalidade, além de atrasos no desenvolvimento motor e acúmulo de gordura corporal, apesar de serem menores ao nascer.
Entretanto, Zazula alerta: os resultados observados em ratas não podem ser extrapolados diretamente para os seres humanos sem estudos que comprovem a similaridade nas respostas biológicas. Portanto, o uso cauteloso de ômega-3 e de qualquer outro suplemento é imprescindível durante a gestação.
Com um contexto global de crescente desinformação sobre suplementação, Zazula enfatiza a necessidade de consolidar o papel das instituições de pesquisa, especialmente públicas. A ciência requer tempo e paciência para trazer respostas sólidas, e essa realidade deve ser constantemente lembrada em discussões sobre saúde e suplementação.
