O inquérito resultou no indiciamento de 36 pessoas, incluindo o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e o vereador Carlos Bolsonaro, ambos do PL-RJ. Ramagem, depois de sua condenação por envolvimento em um esquema golpista, deixou o Brasil e reside nos Estados Unidos. Ele se tornou uma figura central nas investigações, que tomaram impulso após a divulgação de informações pelo jornal O Globo, em março de 2023, sobre a aquisição do sistema FirstMile. Essa ferramenta explorava vulnerabilidades na rede de telefonia celular para rastrear indivíduos previamente definidos em todo o território nacional.
A investigação sugere que a chamada “Abin paralela” foi organizada sob a liderança de Ramagem e usada para articular dossiês e espalhar desinformação para atender a interesses políticos alinhados ao ex-presidente. Curiosamente, Bolsonaro não constou na lista final de indiciados, visto que já respondia a processos relacionados a crimes de organização criminosa no contexto do mesmo golpe. Tanto Ramagem quanto Bolsonaro anteriormente refutaram a existência dessa estrutura paralela dentro da Abin.
Entre as personalidades monitoradas de maneira irregular, estavam membros do Supremo Tribunal Federal, como o ex-presidente Luís Roberto Barroso, assim como dois ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira e Rodrigo Maia. A investigação também trouxe à tona o fato de que a atual cúpula da Abin teria obstáculos para fornecer dados cruciais relacionados ao monitoramento. Apesar da gravidade das alegações, a nova administração da agência sempre negou qualquer irregularidade e se colocou à disposição das autoridades competentes.
A PGR, ao ser contatada, não ofereceu comentários sobre o andamento desse caso polêmico, que se mantém como um capítulo obscuro na recente história política do Brasil, levantando questões sobre as práticas de vigilância estatal e a ética no uso de recursos públicos. O silêncio das autoridades competentes levanta temores sobre a transparência e accountability neste processo, em um momento em que a confiança nas instituições é essencial.





