A Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) criticaram amplamente o concurso, afirmando que ignora as normas já estabelecidas para pesquisas arqueológicas e desrespeita os direitos das comunidades indígenas locais. O MPF vê a competição como uma repetição de ações que buscam tesouros, ao invés de um verdadeiro avanço na pesquisa arqueológica. Em declarações, a presidente da SAB, Bruna Rocha, ressalta que a legislação brasileira assegura que toda pesquisa arqueológica deve ser autorizada pelo Iphan e deve contar com a participação de profissionais qualificados.
Outro ponto crítico é o “colonialismo científico”, que Rocha aponta como um risco real nessas iniciativas. Esse fenômeno é caracterizado pela exploração de dados sem consulta aos povos que habitam a terra, reforçando desinformações e mitos sobre a Amazônia, que historicamente tem sido vista como “terra sem gente”. A divulgação indiscriminada de informações geográficas, que podem servir para deslegitimar a presença histórica de comunidades tradicionais e indígenas, é considerada altamente perigosa.
A questão do uso de dados se torna ainda mais complexa quando se considera o interesse de empresas em aplicar IA em áreas de relevância social sem a devida supervisão estatal. Caio Almendra, especialista em ciência de dados, enfatiza a necessidade de mecanismos que garantam transparência e o compartilhamento equitativo dos benefícios resultantes do uso de dados públicos. O desafio da OpenAI, embora baseado em dados acessíveis, levanta questões sobre quem realmente possui o conhecimento estratégico elaborado a partir deles e qual o impacto de tal informação na soberania nacional e cultural.
Essa situação ilustra um cenário mais amplo sobre como a tecnologia pode ser usada tanto como ferramenta de avanço quanto como veículo para exploração e conflitos sobre propriedade intelectual, cultura e direitos humanos. A identificação de novos sítios arqueológicos tem um valor intrínseco, mas deve ser conduzida com responsabilidade e ética, respeitando a rica tapeçaria cultural da Amazônia e os direitos dos seus povos.
