Antes de se juntar à administração da Prefeitura de Maceió, João Felipe foi subsecretário de Fazenda e presidente do Conselho Fiscal da PreviCampos, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. O próprio currículo oficial da Prefeitura de Maceió confirma sua trajetória, onde destaca suas funções anteriores em Campos, incluindo auditor-geral do município e liderança em um órgão encarregado da supervisão de investimentos previdenciários.
O ponto que chama a atenção é que, durante seu tempo na PreviCampos, João Felipe foi presidente do Conselho Fiscal em um período marcado por aplicações financeiras que posteriormente entraram na mira da Justiça. Em 2019, ele foi convocado a prestar esclarecimentos a uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava os investimentos do instituto, os quais culminaram em um rombo estimado em R$ 383 milhões.
Em 2021, ele foi nomeado secretário da Fazenda em Maceió pelo prefeito JHC. Desde então, também passou a fazer parte do Conselho de Administração do Iprev, onde foi responsabilizado por decisões sobre a política de investimentos do órgão. Sob sua gestão, o Iprev destinou R$ 97 milhões em Letras Financeiras subordinadas do Banco Master.
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou uma busca e apreensão na residência de João Felipe, indicando a profundidade da investigação relacionada ao Iprev e as operações financeiras realizadas com o Banco Master. O ministro sublinhou a importância da participação de João Felipe no Conselho de Administração e o peso que suas decisões podem ter tido nas deliberações do instituto.
Além disso, ele foi incluído entre os investigados que tiveram bens bloqueados, num total que chega a R$ 97 milhões. Contudo, o pedido para seu afastamento do cargo foi negado pelo STF, com a justificativa de que não há provas concretas atualmente que sugiram risco de interferência na investigação.
A trajetória de João Felipe, que conecta as administrações previdenciárias de Campos e Maceió, lança luz sobre padrões que emergem em gestões públicas e suas consequências. O caso sublinha a necessidade de uma avaliação rigorosa das ações e decisões tomadas por aqueles que gerenciam recursos públicos, especialmente em contextos tão sensíveis como a previdência municipal. As investigações seguem em andamento, e a expectativa é de que novas informações possam surgir nos próximos dias, buscando elucidar a real dimensão das irregularidades.
