Enquanto o crescimento mensal de clientes do Nubank é um dado interessante, a verdadeira inquietação gira em torno da sustentabilidade financeira da empresa em um cenário de juros elevados. Os analistas do BTG indicam que as preocupações estão relacionadas ao impacto que a deterioração da economia poderia ter sobre a receita, caso o Nubank fosse forçado a restringir sua concessão de crédito. O desinteresse dos investidores por métricas de crescimento em um ambiente adverso destaca uma mudança nas expectativas em relação ao desempenho da fintech.
Os efeitos dessa desconfiança já são visíveis nas cotações das ações do Nubank, que caíram 22,83% na NYSE apenas entre janeiro e junho deste ano. Apesar de um leve aumento de 0,75% nos últimos 30 dias, a tendência é um reflexo direto da apreensão do mercado. O crescimento significativo da carteira de crédito da empresa — 40% no primeiro trimestre em comparação ao ano anterior, atingindo US$ 37,2 bilhões — contradiz a performance mais fraca do lucro líquido, que alcançou US$ 871,4 milhões, abaixo das expectativas do mercado.
A elevação do índice de inadimplência entre 15 e 90 dias, que subiu de 4,1% para 5%, também acendeu um alerta em relação à saúde financeira da empresa. Em resposta a esses desafios, o Nubank reforçou suas provisões de crédito de forma antecipada, orientando-se pela cautela diante de um possível piora na qualidade das suas carteiras.
O diretor financeiro do Nubank, Guilherme Lago, enquanto ainda estava ao leme da companhia, argumentou que o aumento na inadimplência no curto prazo está associado a características sazonais típicas do início do ano, em vez de uma indicação de deterioração real. Na verdade, a inadimplência acima de 90 dias diminuiu de 6,6% para 6,5% no mesmo período, oferecendo um sopro de esperança.
Ainda assim, a desconfiança prevalece — um fato compreensível no setor financeiro, onde o aumento da inadimplência geralmente causa resistência entre investidores. Muitos observadores do mercado afirmam que, diante do cenário macroeconômico que se deteriorou desde abril, as expectativas de inflação aumentaram e a trajetória de afrouxamento monetário deve ser mais curta do que anteriormente prevista.
Analistas também apontam que estímulos de curto prazo, como a isenção de Imposto de Renda para pessoas de baixa renda e o crescimento significativo do crédito consignado privado, podem estar ocultando problemas mais profundos. Assim, um ou dois trimestres de bons resultados podem não ser suficientes para aliviar as inquietações de longo prazo sobre a qualidade do crédito da fintech, que se concentra em clientes de menor renda, especialmente em produtos de crédito pessoal sem garantias, mais suscetíveis a variações econômicas.




