INTERNACIONAL – Relações neocoloniais intensificam tragédia social, política e econômica no Haiti, alerta especialista brasileiro em estudos do Caribe.

Com uma história marcada por dificuldades econômicas e políticas, o Haiti enfrenta atualmente uma crise profunda, que tem suas raízes em relações neocoloniais estabelecidas com potências internacionais ao longo dos anos. A avaliação é do antropólogo haitiano, Handerson Joseph, que destaca a incompatibilidade dos interesses estrangeiros com a estabilidade do país caribenho.

Diferentemente do colonialismo direto, o neocolonialismo se manifesta através de relações sutis de dominação, que influenciam a política, a economia e a sociedade haitiana. Joseph aponta que a elite política local, aliada aos interesses estrangeiros, tem obstaculizado as chances de melhora e estabilidade no Haiti, com disputas de poder que minam as instituições estatais.

As intervenções internacionais, segundo o antropólogo, aumentam a dependência do Haiti em relação à comunidade internacional, focando mais na militarização e no policiamento do que na reestruturação das instituições. A mídia, por sua vez, é criticada por apresentar uma visão estigmatizadora do país caribenho, não abordando as causas profundas da crise atual.

Com uma família que vive entre o Haiti e diversos países, como Estados Unidos, Brasil, Canadá e França, Handerson Joseph destaca a gravidade da situação no país, controlado por gangues e enfrentando uma crise alimentar severa, com quase metade da população em situação de fome aguda. A violência sem precedentes na história e a necessidade de operações de resgate de cidadãos estrangeiros evidenciam a urgência do cenário.

A Revolução haitiana de 1804, marco histórico que rompeu com o colonialismo e a escravidão, tem reflexos na situação atual do país, mas os embargos e o isolamento internacional impostos após o evento contribuíram para a instabilidade política e econômica que perdura. As intervenções e a dominância estrangeira ao longo dos anos mantêm o Haiti em um ciclo de crises e desafios, dificultando a construção de uma democracia estável e próspera.

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