Hegseth argumentou que, com a negociação em vigor, o prazo de 60 dias para ações militares está suspenso. Contudo, o prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias caso Trump notifique o Legislativo sobre uma “necessidade militar inevitável”. Essa questão, no entanto, não passou incólume às críticas dos senadores, especialmente do democrata Tim Kaine, que sublinhou a importância do prazo que se encerra nesta sexta-feira, sugerindo que a interpretação do governo pode enfrentar desafios jurídicos.
Os parlamentares têm pressionado a administração a justificar sua posição e solicitar oficialmente uma extensão, com diversas tentativas no Congresso para restringir os poderes de guerra de Trump já tendo sido rejeitadas. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, saiu em defesa da postura da Casa Branca, afirmando que atualmente não há uma guerra ativa contra o Irã e que o foco está nas negociações para a paz.
A questão do conflito também se encontra na mira do debate público, com a maioria da população americana – estimada em mais de 60% – manifestando oposição à guerra. Essa aversão se intensifica no contexto do aumento dos preços dos combustíveis, que atingiram seu nível mais alto em anos. O professor James N. Green, da Universidade de Brown, destacou que a realidade econômica está inflando o descontentamento, pois muitos americanos dependem do carro para trabalhar e estão sendo impactados pelo custo crescente do combustível, com o galão marcado em aproximadamente US$ 4,39.
Além disso, o cenário político pode mudar radicalmente com as eleições de novembro. Mesmo entre os republicanos, a popularidade da guerra está em declínio, gerando divisões no partido. A senadora Susan Collins se juntou a críticos da liderança partidária, apoiando restrições aos poderes de guerra do presidente. Esse panorama de incertezas pode influenciar as estratégias eleitorais, especialmente para aqueles em cargos que buscam reeleição.
Assim, à medida que o prazo se aproxima, observa-se uma interseção complexa entre questões legais, políticas e a opinião pública, tudo isso enquanto o governo tenta gerenciar a dinâmica interna e internacional que afeta diretamente a vida cotidiana dos cidadãos americanos.





