O presidente brasileiro não só promoveu a ideia de expandir o comércio do Mercosul, como também criticou a prática de alinhamentos automáticos entre países. Em sua fala, enfatizou que a soberania das nações deve prevalecer e que nenhum país da América do Sul pode se considerar proprietário da região. No contexto atual de crescente protecionismo global e tensões políticas, Lula defendeu a integração regional como essencial para enfrentar os desafios econômicos e de desenvolvimento sustentável.
A cúpula contou com a presença de líderes do Chile, Uruguai, Equador e Bolívia, simbolizando a transição da presidência do Paraguai para o Uruguai. Um dos momentos marcantes do encontro foi um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos recentes terremotos na Venezuela. Lula aproveitou a ocasião para refletir sobre os 35 anos de existência do Mercosul, destacando o crescimento do comércio intrabloco, que saltou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025.
Outro tema abordado foi a proposta de um novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, o Focem, que sucederá o atual fundo considerado insuficiente. O Brasil anunciou um investimento de US$ 100 milhões anuais por uma década para apoiar as desigualdades regionais e facilitar a inclusão da Bolívia. Lula ainda solicitou que a Argentina aumentasse sua contribuição.
Na área de segurança, o Brasil apresentou um pacto regional focado no combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. Também foi discutida a criação de um escritório regional da Interpol em Buenos Aires, que visa intensificar a luta contra o crime organizado.
O Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia (em processo de adesão), representa 73% do território sul-americano e cerca de 70% do PIB da região, sendo considerado um importante espaço de cooperação regional.
