A delegação iraniana enfatizou que a concretização de um acordo final está intrinsicamente ligada à cessação das hostilidades em várias frentes, especialmente no Líbano. A declaração é um reflexo das tensões exacerbadamente elevadas após ataques israelenses em território libanês, que culminaram na decisão do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima, desconsiderando o compromisso de permitir tráfego livre por sessenta dias conforme previamente acordado.
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, salientou que o foco do encontro foi a implementação das cláusulas do memorando, com especial ênfase na necessidade de pôr fim ao conflito no Líbano. Ele reiterou que um progresso significativo nas negociações seria impossível sem a aplicação das disposições acordadas.
Simultaneamente, o clima das negociações foi acirrado pelas ameaças do presidente americano, Donald Trump, que responsabilizou o Irã e o Hezbollah pela degradação da situação no Líbano. Trump afirmou que caso o Irã não atue para controlar suas “forças contratadas” no país, os EUA poderiam responder militarmente de maneira mais intensa.
A resposta do chefe do Parlamento iraniano, MB Ghalibaf, foi rápida e incisiva. Ele desconsiderou as ameaças como mera retórica dos Estados Unidos, alertando que as forças armadas do Irã estão preparadas para reagir. Antes dessa troca acalorada, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que chefia a delegação americana, havia demonstrado otimismo, afirmando que as negociações progrediam de maneira promissora.
Enquanto isso, a posição israelense permanece inflexível. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país continuará suas operações no Líbano “sem restrições”, reafirmando o compromisso de manter suas tropas na região. O Hezbollah, por outro lado, advertiu que qualquer violação por parte de Israel será efetivamente respondida. O secretário geral do grupo, Sheikh Naim Qassem, ressaltou que o apoio dos EUA é fundamental para o que considera as agressões israelenses no Líbano, clamando por uma ação que interrompa essa dinâmica.
O embate contínuo entre as duas potências e as mensagens trocadas entre os líderes evidenciam um cenário de tensões crescentes que podem dificultar os esforços de paz na região.
