De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os EUA (Ineu), Roberto Goulart Menezes, a falta de um órgão centralizador do processo eleitoral nos EUA traz problemas. O sistema eleitoral é considerado excludente e eivado de vícios, o que se torna mais evidente quando comparado ao modelo centralizado brasileiro, representado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A escolha indireta para a presidência norte-americana foi estabelecida como forma de evitar candidaturas demagógicas e populistas, garantindo que os delegados eleitos possuam maior experiência política.
Uma das diferenças fundamentais entre os processos eleitorais do Brasil e dos Estados Unidos está na constituição de cada país. Enquanto os Estados Unidos possuem uma Constituição mais simplificada, delegando boa parte das leis aos estados e garantindo autonomia, os brasileiros contam com um sistema centralizado. Isso reflete diretamente na organização das eleições presidenciais, que nos EUA são conduzidas pelos governos estaduais, resultando em dificuldades e contestações.
Na terça-feira, os eleitores americanos não votarão diretamente nos candidatos à presidência, como Kamala Harris ou Donald Trump. Eles elegerão delegados de seus estados, que posteriormente votarão nos candidatos. O colégio eleitoral dos EUA é formado por 538 delegados, distribuídos de acordo com a população de cada estado, determinando também a representatividade no Legislativo.
Essa distribuição de delegados pode favorecer o candidato menos votado a se tornar presidente, como ocorreu nas eleições de 2016 e 2000. O sistema eleitoral americano conta com os chamados “estados pêndulo”, onde a disputa é imprevisível e qualquer partido pode sair vitorioso. Esses estados se tornam alvo das campanhas eleitorais, definindo o resultado final do pleito. Além disso, muitos estados permitem o voto antecipado, o que tem sido alvo de desinformação por parte de alguns candidatos.
Em resumo, a complexidade e particularidades do sistema eleitoral dos Estados Unidos refletem uma democracia distinta da brasileira, baseada em delegações de poder e autonomia dos estados, o que pode gerar resultados surpreendentes e controversos, desafiando a compreensão de muitos eleitores.
