A apuração, no entanto, permanece indefinida. Sanchéz lidera com uma margem estreita de apenas 4.900 votos em um total de 27 milhões de eleitores aptos a votar. Das 92 mil urnas, cerca de 4,6 mil ainda precisam ser apuradas, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O especialista em integração latino-americana, Gustavo Menon, comentou sobre a incerteza do resultado, destacando que as urnas cujas apurações estão pendentes são majoritariamente provenientes do exterior e de regiões montanhosas do país, onde Sanchéz desfruta de forte apoio.
Esta eleição não representa apenas uma batalha entre Sanchéz e Fujimori, mas simboliza um ponto de virada na correlação de forças políticas na América do Sul. A vitória de Keiko poderia resultar em um alinhamento mais próximo com a administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de uma intenção declarada de fortalecer parcerias de combate ao crime transnacional.
A atual disputa presidencial, que se estende de 2026 a 2031, é marcada por um cenário político turbulento, onde o Peru já teve oito presidentes nos últimos dez anos. Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, está buscando a presidência após três tentativas frustradas anteriores. Por sua vez, Sanchéz é um ex-ministro do governo destituído de Pedro Castillo, um político que se tornou símbolo da luta rural e indígena no país.
Após um primeiro turno modesto, onde Sanchéz obteve 12% dos votos, o candidato reformulou seu discurso, abandonando algumas propostas mais radicais, incluindo a nacionalização de setores estratégicos. No entanto, ele mantém a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para revisar a atual Constituição, considerada uma herança do regime fujimorista. Adicionalmente, Sanchéz propõe uma reforma trabalhista que busque ampliar direitos e formalizar trabalhadores informais, consolidando um programa que reflete tanto suas origens quanto a necessidade de um discurso mais moderado em uma nação em busca de estabilidade política.
