No entanto, o diplomata aposentado José Alfredo Graça Lima, que teve participação nos primórdios das negociações, não considera o acordo como um livre comércio. Segundo ele, o tratamento dado ao setor agrícola é diferente do dado aos bens industriais, com quotas de importação e exportação estabelecidas. Graça Lima também expressou ceticismo em relação à competitividade dos produtos eletrônicos europeus em comparação com os da China, sugerindo que o impacto no mercado brasileiro pode não ser significativo.
Apesar do acordo ter sido bem recebido, há desafios para a sua efetivação. As medidas negociadas precisam ser ratificadas internamente pelos congressos dos países do Mercosul, além de ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE. A França já manifestou oposição ao acordo, citando questões relacionadas ao comércio agrícola. Na visão de Graça Lima, a resistência da França está ligada ao receio dos agricultores locais de perder competitividade frente à concorrência estrangeira.
O ex-diplomata também destacou a importância de garantir que o acordo traga benefícios tangíveis para as populações mais pobres dos países do Mercosul. Ele questionou como a redução dos preços de queijos e vinhos importados da França beneficiaria os consumidores de baixa renda. Mesmo com os desafios existentes, o presidente Luís Inácio Lula da Silva destacou que o novo acordo é diferente do anterior, pactuando condições mais favoráveis para o Brasil.
Em resumo, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco nas relações comerciais entre os dois blocos, mas ainda há obstáculos a serem superados para sua efetiva implementação e para garantir que traga benefícios para todas as partes envolvidas. A posição crítica de Graça Lima em relação ao tratamento dado aos diferentes setores e a resistência de países como a França mostram que o caminho para a concretização do acordo pode não ser tão simples.
