INTERNACIONAL – Conflito entre Hamas e Israel pode afetar economia brasileira devido a possível impacto no mercado de petróleo e medidas protecionistas

O conflito entre o Hamas e Israel está levantando preocupações sobre possíveis impactos na economia brasileira, especialmente no setor de comércio exterior. A economista e especialista em comércio exterior Lia Valls, pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), acredita que, embora Israel e Palestina não sejam produtores de petróleo, uma escalada do conflito poderia envolver países vizinhos como o Irã, o que poderia afetar o mercado de petróleo global.

Segundo Valls, um aumento na volatilidade do mercado devido ao conflito pode resultar em restrições ao comércio e uma queda na demanda mundial. Isso poderia diminuir as chances de crescimento das exportações brasileiras. No entanto, ela não acredita que haverá impactos imediatos na balança comercial do Brasil, uma vez que o país não possui um comércio significativo com Israel ou Palestina.

A economista ressalta que o conflito entre Israel e o Hamas provavelmente resultará em transformações geopolíticas significativas, especialmente se os Estados Unidos aumentarem as sanções sobre o Oriente Médio. Isso poderia afetar negativamente o Brasil, que exporta uma quantidade significativa de produtos para a região.

No período de janeiro a setembro deste ano, os principais produtos brasileiros exportados para o Oriente Médio foram carne de aves, açúcar, soja e minério de ferro. Esses produtos representam cerca de 4,3% da pauta brasileira de exportações. Já as importações do Brasil incluem adubo, óleos combustíveis e óleo bruto de petróleo, correspondendo a aproximadamente 3,3% da pauta.

Valls destaca que o comportamento das exportações do Brasil dependerá da duração do conflito. Se a guerra se arrastar por um longo período, poderá levar a um aumento das medidas protecionistas adotadas pelos países, o que afetaria o comércio global.

Em relação às relações comerciais entre o Brasil e Israel, os números são relativamente baixos. Israel representa apenas 0,2% das exportações brasileiras e 0,6% das importações. Os principais produtos exportados para Israel são petróleo, carne bovina e soja, enquanto o Brasil importa principalmente adubo. Apesar disso, Valls considera que esses valores são pequenos para a pauta brasileira.

Em conclusão, o conflito entre o Hamas e Israel levanta preocupações sobre os possíveis impactos na economia brasileira, especialmente no setor de comércio exterior. Embora os efeitos diretos sejam limitados devido ao baixo volume de comércio com Israel e Palestina, uma escalada do conflito e possíveis transformações geopolíticas podem afetar o mercado de petróleo global e as medidas protecionistas adotadas pelos países. O Brasil precisa acompanhar de perto a situação e se preparar para possíveis consequências econômicas.

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