Enquanto isso, a administração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tentou apresentar o cessar-fogo como um resultado direto da ação diplomática da Casa Branca. No entanto, por trás das cortinas, a trégua era uma exigência de Teerã nos diálogos com Washington. Em um sinal de alívio, assim que a violência cessou, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais, um passo importante em um dos canais de navegação mais estratégicos do mundo.
O Hezbollah, em um comunicado, revelou que ao longo de 45 dias de confronto com as Forças de Defesa de Israel, foram realizadas impressionantes 2.184 operações militares, totalizando uma média de 49 ações por dia. Esses ataques não se restringiram apenas ao território libanês; eles também se dirigiram a bases e instalações militares em Israel e áreas palestinas ocupadas, chegando a até 160 quilômetros da fronteira.
O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, elogiou a resistência do Hezbollah, enfatizando a importância dessa sinergia entre o grupo libanês e o Irã, ao afirmar que o cessar-fogo é uma conquista coletiva. Ele reiterou a necessidade de permanecer vigilantes, destacando que a resistência se mantém forte, independentemente das circunstâncias.
Por outro lado, Israel se viu em uma posição desconcertante. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que anteriormente havia manifestado planos de expandir a ocupação no sul do Líbano, foi pego de surpresa com a declaração do cessar-fogo. A oposição interna criticou a decisão de Netanyahu, alegando que ela foi imposta pelos números e pela pressão internacional. Apesar da trégua anunciada, fontes militares em Israel indicaram que as tropas continuariam posicionadas no Líbano.
Esse conflito vem se arrastando desde sua raiz na década de 1980, quando o Hezbollah surgiu como resposta à ocupação israelense. Desde então, o grupo se transformou em uma força política relevante, exercendo influência significativa na política libanesa. O cenário atual, marcado por uma história de hostilidades e comparações de poder, desafia qualquer expectativa de paz duradoura, enquanto o Líbano permanece em um estado delicado, com as tensões entre o Hezbollah e Israel perdurando ao longo das décadas.
