O deputado federal Arthur Lira (PP) afirmou que não descarta a possibilidade de, no futuro, apoiar o ex-governador e pré-candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB). A declaração foi feita durante um evento político realizado em Limoeiro de Anadia, no interior do estado, onde os dois dividiram o mesmo palanque.
“Ainda não votei em Renan Filho, e ele também não em mim, mas quem sabe um dia, né? De repente”, disse Lira ao comentar a convivência política com o emedebista.
O encontro ocorreu durante o lançamento das pré-candidaturas do deputado estadual Antônio Albuquerque (União Brasil) e do ex-deputado federal Nivaldo Albuquerque (Republicanos). Também participaram do evento o governador Paulo Dantas (MDB) e o pré-candidato ao Senado Davi Davino Filho (Republicanos).
A declaração chamou atenção por ocorrer em meio à histórica disputa política entre Arthur Lira e o senador Renan Calheiros (MDB), pai de Renan Filho. Os dois são apontados como adversários diretos na corrida por uma das vagas ao Senado nas eleições de 2026. Enquanto Renan Calheiros busca a reeleição, Lira articula sua candidatura ao lado do deputado federal Alfredo Gaspar (PL).
Nos últimos meses, a relação entre Lira e Renan Calheiros foi marcada por sucessivas trocas de críticas públicas. Em fevereiro, o senador afirmou que o deputado deveria permanecer na Câmara Federal por não possuir experiência suficiente para o Senado. Antes disso, Calheiros descartou qualquer possibilidade de aliança com Lira e o responsabilizou por decisões que, segundo ele, prejudicaram Alagoas durante sua presidência da Câmara dos Deputados.
Os embates também chegaram ao Congresso Nacional. Durante a tramitação do projeto de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, Renan criticou o relatório elaborado por Arthur Lira, embora tenha votado favoravelmente à proposta. O deputado respondeu classificando as críticas como infundadas.
Apesar da disputa entre os dois grupos políticos permanecer no centro do cenário eleitoral alagoano, a fala de Arthur Lira ao lado de Renan Filho foi interpretada como um gesto de cordialidade institucional e mostrou que, ao menos no plano pessoal, ambos mantêm espaço para o diálogo em meio às articulações para as eleições de 2026.
