A pressão na inflação de serviços também é um alerta para a dinâmica dos juros, com o Banco Central já prevendo mais duas elevações de 1 ponto porcentual na taxa Selic para as reuniões de janeiro e março. Isso deve levar o juro básico a atingir, no mínimo, 14,25% ao longo do ano.
A economista Laiz Carvalho, do BNP Paribas, destaca que o nível alto da inflação de serviços está alinhado com as projeções do Banco Central, indicando que a inflação não dará sinais de alívio no curto prazo. Ela ressalta que a economia ainda está muito aquecida, o que pode resultar em preços mais pressionados e manutenção dos juros altos por mais tempo.
O IPCA encerrou 2024 acima da meta de 4,5%, levando o presidente do Banco Central a escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda para explicar o descumprimento do alvo de inflação. O Santander Brasil também alerta para a pressão contínua sobre a inflação de serviços, especialmente os serviços intensivos em mão de obra.
Para os próximos meses, os economistas ainda esperam pressão na inflação de serviços, principalmente devido a reajustes salariais, programas de transferência de renda e um mercado de trabalho forte. Embora a inflação permaneça elevada, não se espera uma piora expressiva no primeiro trimestre, a menos que ocorra uma depreciação cambial mais intensa ou problemas de oferta.
Portanto, o cenário econômico para o início de 2025 aponta desafios significativos em relação à inflação de serviços e à trajetória dos juros, com a perspectiva de uma desaceleração apenas no segundo semestre, conforme avaliação de especialistas do setor.
