A ascensão da indústria naval brasileira começou em 2006 com a descoberta do pré-sal, atraindo enormes investimentos da Petrobras e revitalizando o setor, que chegou a empregar mais de 82 mil pessoas em 2014, com quase 40 estaleiros ativos, especialmente no Rio de Janeiro. No entanto, a situação começou a se deteriorar em 2015, quando a combinação de uma crise econômica, os desdobramentos da operação Lava Jato e a queda dos preços do petróleo levaram à redução drástica nas encomendas, resultando em demissões em massa e no fechamento de estaleiros.
Com a atual administração de Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta é retomar o suporte à indústria naval por meio de encomendas da Petrobras e financiamento do FMM. O especialista Levi Salvi alerta que, apesar dos novos investimentos, é crucial implementar políticas públicas que garantam estabilidade a longo prazo, independente de mudanças de governo. Salvi destaca a necessidade de apoio contínuo à formação de mão de obra qualificada e à parcerias com instituições de ensino.
O Estaleiro Mauá, um dos mais tradicionais do Brasil, ilustra bem essa transição. Embora tenha visto sua força de trabalho reduzir de mais de 5 mil para 700 durante a crise, hoje já conta com 1.400 funcionários. O CEO da empresa, Miro Arantes, enfatiza que o setor está em recuperação, mas ainda necessita de tempo para voltar a níveis anteriores.
A expansão da indústria naval é vista como essencial não apenas do ponto de vista econômico, mas também estratégico para a soberania nacional. O Brasil, com sua vasta costa e recursos marinhos, precisa de uma indústria que possa garantir a defesa e a exploração de suas riquezas. A esperança é que, com políticas de incentivo e um mercado interno fortalecido, a indústria naval se torne competitiva novamente, capaz de atender à demanda local e internacional. Essa visão é compartilhada por diversos líderes da indústria, que clamam por um plano direcionado aos desafios logísticos e produtivos que ainda persistem.
