INCERTEZAS – Sem JHC, direita vira condomínio em disputa e vê Renan Filho correr sozinho – com Jornal Rede Repórter

A saída de JHC do PL produziu um efeito colateral que começa a preocupar a direita alagoana: a ausência de uma liderança capaz de unificar o campo conservador para as eleições de 2026.

Enquanto o senador Renan Filho (MDB) percorre o estado em pré-campanha permanente e consolida alianças, os grupos ligados ao bolsonarismo ainda tentam descobrir quem comandará o palanque da direita em Alagoas.

A mudança de partido do ex-prefeito de Maceió não representou apenas uma troca de legenda. Ao migrar para o PSDB, JHC se afastou do núcleo bolsonarista justamente quando busca ampliar sua presença no interior do estado, onde Lula mantém forte influência eleitoral.

O movimento deixou órfã uma parcela do eleitorado mais ideológico da direita. Até então, JHC era visto como o principal nome capaz de reunir conservadores, bolsonaristas e setores do centro-direita em torno de uma candidatura competitiva ao governo.

Sem ele, o cenário se fragmentou.

O deputado federal Alfredo Gaspar assumiu o comando do PL em Alagoas e se consolidou como referência do bolsonarismo local, mas concentra seus esforços na disputa pelo Senado. Arthur Lira mantém influência política e estrutura eleitoral, mas segue sem demonstrar interesse direto na corrida ao governo. O resultado é um vácuo de liderança justamente no campo que costumava ter em Bolsonaro seu principal ativo eleitoral.

A situação se torna ainda mais delicada porque Alagoas abriga um paradoxo político. Embora Lula tenha vencido em quase todos os municípios do estado em 2022, Maceió permanece como um dos mais importantes redutos bolsonaristas do Nordeste. Sem um nome capaz de conectar esses dois mundos, a direita corre o risco de entrar dividida na disputa.

Nos bastidores, cresce a percepção de que JHC tenta ocupar uma posição mais pragmática do que ideológica. A estratégia pode ampliar seu alcance eleitoral, mas cobra um preço: o afastamento de parte da militância que o acompanhou nos últimos anos.

Enquanto isso, Renan Filho observa o cenário com relativa tranquilidade. Sem enfrentar um adversário claramente consolidado no campo conservador, o emedebista ganha tempo para fortalecer alianças e ampliar sua vantagem política.

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