Investigação revela que as chamadas de vídeo tiveram registros de IP que indicam acessos não apenas de várias localidades do Brasil, como São Paulo e Barueri, mas também de cidades chinesas como Hong Kong e Pequim, o que intensifica as suspeitas levantadas pela empresa brasileira. A origem deste caso remonta a uma investigação iniciada no ano passado, quando a Polícia Civil do estado de São Paulo conduziu uma operação contra um ex-funcionário do iFood. Este colaborador era suspeito de abusar de sua posição de confiança para acessos não autorizados a informações confidenciais da empresa.
Na época, surgiram relatos de que consultorias internacionais estavam abordando os funcionários do iFood em redes sociais, incentivando-os a revelar dados sensíveis em troca de compensações financeiras. Um ex-colaborador, ligado a estas práticas, confessou que participou de reuniões onde foram discutidos detalhes financeiros da empresa, enviando provas das interações em grupos de mensagem internos.
Após realizar buscas em equipamentos do investigado, o iFood conseguiu reunir evidências que ligam as reuniões realizadas com a Keeta ao ex-funcionário. Agora, com informações que indicam uma conexão direta, a empresa iniciou um processo de produção de provas nos Estados Unidos contra o Zoom. Isso ocorreu após a descoberta de reuniões que contavam com a participação de pessoas associadas à Meituan.
Ao ser contatada, a empresa iFood reforçou que já implementou ações legais contra práticas que considera de concorrência desleal e reafirmou seu compromisso em manter um ambiente ético no mercado. Por outro lado, a Keeta negou as alegações e afirmou operar em conformidade com as leis, enfatizando que não contrata terceiros para obter informações confidenciais.
Esse embate entre as duas empresas não se limita ao plano judicial. Recentemente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação contra o iFood para avaliar possíveis infrações em acordos de concorrência. Para complicar ainda mais o cenário competitivo, a controladora da 99Food também reportou situações de vazamento de dados, ressaltando um contexto de insegurança cibernética na indústria de entregas. A disputa, portanto, reflete a intensa batalha por fatias do mercado, onde práticas éticas e de concorrência se tornam cada vez mais críticas.





