De acordo com informações obtidas de fontes próximas ao caso, Basilico, filho da viúva de Del Vecchio, alega que a votação que permitiu a transferência de participações dentro da Delfin foi realizada de forma irregular. O ponto central da controvérsia está nas tentativas de Leonardo Maria Del Vecchio, um dos herdeiros, de ampliar sua participação e influência na holding, visando adquirir as cotas de seus irmãos, Luca e Paola Del Vecchio. A assembleia que validou essa operação aconteceu em 27 de abril e, segundo Basilico, não respeitou o processo estabelecido nos estatutos da empresa.
O estatuto da Delfin exige que a transferência de ações a terceiros seja aprovada por uma maioria de mais de 88% dos votos, mas a deliberação foi feita com uma aprovação baseada em 75%, o que, segundo a contestação, compromete sua legitimidade. Como Basilico possui 12,5% dos direitos de voto na holding, sua oposição seria suficiente para barrar a transação se o quórum requeresse a porcentagem mais alta.
Além dessa disputa acionária, a ação judicial também questiona alterações na política de dividendos da Delfin. Há indícios de que a nova estrutura prevê uma distribuição mínima de 80% do lucro líquido anual entre 2025 e 2027 como parte do acordo, o que, segundo analistas, favoreceria Leonardo Maria ao adquirir as participações de seus irmãos.
Caso a suspensão do acordo seja mantida, Leonardo Maria poderá se tornar o maior acionista individual da Delfin, com 37,5% das ações. Essa disputa acirra as tensões em torno da sucessão do império que foi construído por Leonardo Del Vecchio, uma figura emblemática do empresariado italiano falecido em 2022. A holding Delfin detém quase um terço da EssilorLuxottica, a principal empresa de óculos do mundo, que abriga marcas icônicas como Ray-Ban e Oakley, além de ter participações significativas em instituições financeiras na Itália.
A EssilorLuxottica se estabeleceu como uma das corporações mais estratégicas no setor de tecnologia investível dos últimos anos, especialmente após firmar parcerias com empresas como a Meta Platforms, para o desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial. Essa nova disputa poderá não apenas alterar o destino da família Del Vecchio, mas também impactar o futuro de um dos setores mais inovadores da economia global.
