O diagnóstico e a adesão ao tratamento dessas condições permanecem preocupantes. Dados de 2024 mostram que, das 115,3 mil pessoas indicadas para tratamento da hepatite B, apenas 58,8 mil iniciaram o acompanhamento e, alarmantes 14,8 mil interromperam o tratamento. A hepatologista Nayana Vaz, do Hospital Mater Dei Salvador, destaca que essa descontinuação do tratamento aumenta significativamente o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. Seu alerta é claro: muitos convivem anos com hepatites B e C sem saber, e quando os sintomas surgem, o fígado já pode estar severamente comprometido.
O diagnóstico das hepatites é simples e pode ser realizado através de testes rápidos ou exames laboratoriais. No caso da hepatite C, um teste inicial pode detectar anticorpos contra o vírus. Contudo, 80% das pessoas afetadas não apresentam sintomas, o que torna a testagem fundamental, mesmo em indivíduos que se sentem saudáveis. Quando presentes, os sintomas podem incluir cansaço extremo, febre, dores abdominais e alterações na coloração da urina e fezes.
Globalmente, as hepatites virais são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes anuais. Para a hepatite C, a cura é alcançada em mais de 95% dos casos tratados com medicamentos antivirais. Por outro lado, a hepatite B, apesar de não ter cura, pode ser controlada, reduzindo o risco de complicações graves. A prevenção, que inclui vacinação e práticas seguras, é essencial para combater a disseminação dessas doenças, uma vez que a hepatite B é transmitida pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes.
A mensagem do Julho Amarelo é clara e orientadora: a testagem é a chave para o tratamento e a prevenção de complicações. É imprescindível que a população busque a informação e realize o teste, agindo antes que os sintomas apareçam. A conscientização e a educação são passos fundamentais para enfrentar e controlar as hepatites virais no Brasil.





