O engenheiro Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que a recorrência de ocorrências e a gravidade dos acidentes são indicadores de vulnerabilidade que exigem atenção das autoridades responsáveis pela fiscalização do espaço aéreo. Segundo ele, o aumento na severidade dos incidentes, especialmente aqueles com fatalidades, e a frequência dos mesmos são sinais de que os parâmetros de segurança estão sendo comprometidos.
Na avaliação de Portela, há uma clara necessidade de um controle mais rigoroso do tráfego aéreo, particularmente em áreas com alta incidência de voos. Ele critica a atual abordagem, que deixa a comunicação e a coordenação dos voos a cargo dos próprios pilotos, sugerindo que um suporte institucional, como torres de controle adicionais, poderia melhorar a segurança.
Além disso, o especialista destaca o modelo do helicóptero envolvido no acidente, um Robinson 44. Este modelo é conhecido por ser um dos mais populares no mercado, caracterizando-se por um custo operacional reduzido e boa segurança, desde que operado dentro de seus limites. No entanto, sua configuração de motor único aumenta o risco de falhas em comparação a modelos bimotor. Portela ressalta que todas as condições operacionais devem ser rigorosamente verificadas, incluindo a manutenção adequada e a qualificação do piloto, uma vez que a segurança da aeronave gira em grande parte em torno de um único operador.
Por fim, o engenheiro enfatiza que o risco não se limita apenas aos passageiros e ao piloto; toda a população que se encontra sob a trajetória dos helicópteros está exposta. Assim, ele faz um apelo à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para que revise seus protocolos de controle e fiscalização, buscando garantir maior segurança para todos os envolvidos. A crescente frequência e gravidade dos acidentes aéreo na região requerem uma resposta efetiva e imediata por parte das autoridades competentes.




