Um caso recente, ocorrido no último domingo, ilustra essas preocupações. A enfermeira Rosemary da Silva Garcia, de 59 anos, estava visitando as cavernas e aguardava sua vez para descer de rapel. Ao aplicar repelente próximo à borda, ela acabou se desequilibrando e despencou de uma altura de quase 30 metros, resultando em ferimentos fatais.
Para chegar às Grutas do Spar, os turistas devem percorrer uma trilha que custa R$ 120 para visitantes e R$ 60 para os residentes de Maricá. O ponto de partida é acessado pela Rodovia Amaral Peixoto, e após uma caminhada de aproximadamente 40 minutos, os visitantes chegam a formações rochosas impressionantes. Contudo, o percurso apresenta desafios, como trechos íngremes, escorregadios e a presença de pedregulhos, fatores que exigem atenção especial, especialmente após chuvas.
Os guias turísticos enfatizam a carência de sinalização ao longo da trilha e da área de rapel. Um guia local destacou que apenas uma placa indica a entrada nas grutas, e não existem avisos sobre os perigos. O interior das cavernas é escuro, exigindo o uso de lanternas, e a presença de morcegos e aranhas é uma constante. Outro ponto crítico é o risco de desmoronamento, uma preocupação que remonta a antigas escavações de malacacheta e feldspato realizadas na região há cerca de 50 anos.
Profissionais que atuam no local, como Matheus Moura, instrutor de rapel, relatam que continuam ocorrendo escavações nas proximidades, realizadas por uma empresa não identificada. Essa atividade pode comprometer ainda mais a estrutura das cavernas. Além disso, a ausência de um controle rigoroso resultou na atração de visitantes sem experiência ou acompanhamento adequado, potencializando os riscos.
A Polícia Civil de Maricá iniciou uma investigação sobre a morte de Rosemary, com a análise da cena do acidente e o depoimento de testemunhas. Por sua vez, a prefeitura local afirmou que as Grutas do Spar são uma propriedade privada, inserida nos limites do Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá, o que limita sua responsabilidade sobre as atividades de rapel realizadas no local.
Enquanto as Grutas do Spar continuam a atrair visitantes em busca de aventura, a comunidade clama por mais segurança e infraestrutura para que a experiência desfrutada seja, de fato, uma celebração da natureza e não uma tragédia evitável.
