A principal culpada por esse resultado adverso são as crescentes despesas públicas, que aumentaram 9,4% acima da inflação em comparação a maio de 2025. Enquanto isso, as receitas líquidas tiveram um aumento mais modesto de 5,5% em termos reais. Entre os fatores que contribuíram para o crescimento das despesas, destacam-se as despesas discricionárias, que incluem investimentos e custeio da máquina pública, com um incremento de R$ 16,7 bilhões. Os investimentos, por exemplo, subiram impressionantes 73,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, além de um aumento de 19,7% nas despesas administrativas e uma alta real de R$ 4,9 bilhões em benefícios previdenciários.
Apesar do déficit, a arrecadação administrada pela Receita Federal atingiu um recorde para o mês de maio, somando R$ 266,8 bilhões. Essa quantia é a maior já registrada desde o início da série histórica, em 2000. Os destaques desse crescimento incluem um aumento de 36,7% no pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de 30,4% no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No entanto, o governo teve uma queda significativa nos dividendos recebidos de empresas estatais, que caíram de R$ 9,6 bilhões em maio do ano anterior para apenas R$ 2,3 bilhões.
Outro aspecto que impactou as contas foi a aceleração na execução de emendas parlamentares, com o Orçamento de 2026 prevendo R$ 49,9 bilhões destinados a essas emendas. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o déficit primário já alcançou R$ 44,4 bilhões, um contraste com o superávit de R$ 32,9 bilhões no mesmo período em 2025.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, comentou que o resultado de maio está dentro das projeções do governo e não deve alterar as expectativas para o cenário fiscal de 2026. De acordo com o secretário, o maior desafio permanece a disparidade entre o crescimento das despesas e as receitas.
