O processo de aquisição do Black Hawk foi iniciado em 2024, com o objetivo de fortalecer as operações policiais em áreas críticas, dominadas por atividades do narcotráfico. Duas empresas, a Flyone e a Blue Air, participaram da licitação para fornecer a aeronave, ambas sendo ligadas ao empresário Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido no meio como Tico-Tico. Esse envolvimento levantou preocupações, especialmente porque a Flyone estava sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) devido a acidentes que ocorreram no Acre, onde a companhia tinha um contrato para o transporte aéreo de alimentos a comunidades indígenas.
A Blue Air, por sua vez, foi adquirida em 2025 pela Ambipar, e seu diretor de operações é sobrinho de Tico-Tico. O resultado da licitação, que culminou na oferta da aeronave por US$ 12,6 milhões (aproximadamente R$ 70,3 milhões), foi celebrado pelo então governador Cláudio Castro em um evento público, com o secretário da Polícia Militar e o representante da Blue Air presentes. Contudo, o pagamento pela aeronave ainda não foi realizado, o que chamou a atenção do governo atual.
Durante a revisão de contratos, foi identificado que o valor da aquisição era consideravelmente inferior à média paga pela Aeronáutica, que em 2025 comprou 11 helicópteros do mesmo modelo por US$ 20,9 milhões cada. Isso levantou novas suspeitas sobre a qualidade e a procedência da aeronave. A administração interina informou que todos os contratos sob investigação permanecem suspensos enquanto seguem análise técnica e jurídica. Essa decisão ilustra o compromisso do governo em garantir transparência e conformidade em processos licitatórios relevantes, especialmente em aquisição de equipamentos críticos para a segurança pública.





