Governo busca solução conjunta com Congresso para ajudar produtores rurais, mas alerta sobre prudência na concessão de auxílio e renegociação de dívidas.

Em uma audiência recente na Câmara dos Deputados, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, abordou o crescente endividamento dos produtores rurais, tema que vem se tornando cada vez mais relevante no cenário político e econômico do Brasil. Durigan manifestou a intenção do governo de colaborar na busca de soluções para o setor agrícola, mas defendeu uma abordagem cautelosa, enfatizando que é crucial evitar a concessão de assistências a quem não necessita.

Durante sua fala, o secretário deixou claro que a questão sobre a renegociação das dívidas deve ser tratada em conjunto com o Congresso Nacional. “O governo está comprometido em estender a mão ao agronegócio, mas precisamos garantir que os apoios sejam direcionados de forma correta”, afirmou o titular do Ministério da Fazenda. Essa preocupação vem no contexto da recente aprovação pelo Senado de um projeto que Visa a renegociação das dívidas do setor. No entanto, o governo expressou oposição à iniciativa, citando um impacto potencial nas contas públicas que pode atingir a cifra de R$ 140 bilhões ao longo de uma década, decorrente da equalização das taxas de juros necessárias para facilitar o refinanciamento.

Durigan compartilhou dados preocupantes sobre a inadimplência no agronegócio, que aumentou de uma faixa entre 1% e 2% no Banco do Brasil para um patamar que oscila entre 5% e 6%. Apesar desse aumento, ressaltou que a grande maioria, cerca de 95%, dos produtores ainda mantém suas obrigações financeiras em dia. “Embora a inadimplência tenha crescido, precisamos olhar com atenção a renegociação das dívidas, especialmente para aqueles que estão enfrentando dificuldades financeiras. Contudo, a maior parte do setor agrário continua saudável”, declarou.

Além disso, o secretário também abordou a situação dos microempreendedores individuais (MEIs) e anunciou a intenção de elevar o limite de faturamento atualmente fixado em R$ 81 mil por ano. Essa mudança, segundo Durigan, visa permitir que os MEIs possam contratar mais um funcionário, e os técnicos do Ministério da Fazenda estão propondo um aumento progressivo desse teto, para R$ 100 mil até 2026 e R$ 120 mil até 2028.

Com essas medidas, o governo busca não apenas proporcionar alívio para os que enfrentam dificuldades, mas também estimular o crescimento e a formalização de pequenos negócios, fundamentais para a economia brasileira.

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