Essas mudanças emergem em um contexto onde Washington apostou na Intel para liderar um renascimento na fabricação doméstica de chips. Sob a legislação conhecida como CHIPS and Science Act, o governo dos EUA destinou, em janeiro de 2022, US$ 39 bilhões para subsidiar a construção de fábricas e reduzir a dependência da importação de semicondutores. Este investimento foi julgado essencial numa época em que as relações comerciais com a China se tornaram cada vez mais tensas, especialmente após a implementação de restrições imposta por Washington sobre a exportação de tecnologias avançadas para Pequim.
No entanto, a Intel parece estar lutando para se adaptar a essa nova realidade do setor. Problemas de cumprimento das exigências estabelecidas pelo Departamento de Comércio, essenciais para adquirir os fundos, têm gerado preocupações. A companhia não conseguiu avançar em seus projetos de expansão em estados como Arizona, Novo México e Ohio, e adiamentos significativos foram anunciados, incluindo a construção de fábricas na Europa. Além disso, a empresa registrou um prejuízo de US$ 1,6 bilhão e uma queda acentuada de 60% em suas ações este ano, o que levou a rumores sobre possíveis aquisições.
Na esfera da segurança nacional, ainda está em pauta um contrato de US$ 3 bilhões para a produção de chips com foco em aplicações militares, mas a execução desse projeto também está sob riscos. O programa, conhecido como Secure Enclave, é um esforço do Pentágono para assegurar a produção local de semicondutores críticos. Enquanto isso, a disputa comercial com a China continua a se intensificar, com o governo chinês respondendo às restrições impostas pelos EUA com medidas próprias que visam proteger seu mercado de semicondutores.
Assim, o futuro da Intel e dos planos de fabricação de semicondutores nos EUA permanece incerto, refletindo o complexo cenário global e as pressões internas enfrentadas pela gigante da tecnologia.
