Governo avalia como ‘muito grave’ ataques de Javier Milei a Lula e Moraes, pedindo moderação a membros da administração após polêmicas.

O governo brasileiro classifica como “muito grave” os ataques proferidos pelo presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O descontentamento das autoridades brasileiras se intensificou após a visita de Milei a São Paulo, onde ele participou da convenção do PL e apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência nas eleições de 2026. Durante seu discurso, Milei não hesitou em criticar Lula, afirmando que ele representava um “risco” à economia do Brasil, ao mesmo tempo em que une forças com aliados que compartilham de sua visão política direitista.

As declarações de Milei incluíram um ataque direto ao ministro do STF, a quem se referiu de maneira depreciativa, chamando-o de “lixo careca”, ao comentar sobre sua tentativa de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente sob prisão domiciliar. Essa falta de respeito às instituições judiciais brasileiras provocou uma preocupação ainda maior entre os membros do governo, que pedem uma postura mais moderada de seus próprios integrantes para evitar uma escalada de conflitos.

Reagindo às ofensas de Milei, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a economia do Brasil é bem mais sólida do que a da Argentina e também criticou o líder argentino, chamando-o de “palhaço”. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também não poupou palavras e descreveu Milei como uma “caricatura patética”, destacando sua admiração pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e criticando sua incapacidade de se comportar como um líder respeitável.

Como resposta formal, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre as declarações de Milei, enquanto também convocava o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, a fim de discutir as tensões recentes. De acordo com o ministério brasileiro, “não há precedentes” para ofensas desse tipo dirigidas a um chefe de Estado durante uma visita a outro país.

Esses acontecimentos ressaltam uma fase tensa nas relações Brasil-Argentina, onde a retórica agressiva e as alianças políticas emergentes estão moldando um novo panorama diplomático na América do Sul. O cenário está longe de se estabilizar, indicando que os conflitos verbais podem desdobrar-se em consequências mais profundas para a cooperação bilateral.

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