Ursula Peres destacou que as recentes tensões geopolíticas, como os conflitos na Ucrânia e no Irã, reforçam a relevância da diversidade da matriz energética brasileira. A secretária afirmou que o Brasil, ao ter se tornado menos dependente de combustíveis fósseis, se posiciona como um país soberano. Mais adiante, Peres explicou que o Plano de Transição Ecológica (PTE), lançado em 2023, é uma iniciativa interministerial que visa integrar o crescimento econômico com a sustentabilidade, buscando alavancar investimentos através de mecanismos externos.
O que chama a atenção é a capacidade do governo de gerar recursos para ações climáticas. Desde 2023, o Tesouro Nacional já emitiu títulos voltados a setores estratégicos, arrecadando expressivos US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 28,5 bilhões) até 2025. O Fundo Clima também se destacou ao apresentar um aumento de 316 vezes em seus recursos disponíveis, que agora somam R$ 27 bilhões.
Outros avanços incluem a criação de fundos setoriais pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), ampliando substancialmente os investimentos em tecnologia verde. Somente em 2025, por exemplo, foram alocados R$ 30,7 bilhões em projetos ambientais.
Para Rafael Dubeux, essa mudança de enfoque é significativa, uma vez que a Fazenda, antes centrada apenas no ajuste fiscal, agora se dedica à construção de um plano de desenvolvimento sustentável. Ele enfatizou a necessidade de reestruturar a economia brasileira, que historicamente cresceu à custa do meio ambiente e com desigualdade social.
Além disso, foi evidenciado que os esforços de transformação ecológica já geraram raízes na administração pública. Carolina Grottera reiterou a importância do PTE para estabelecer bases sólidas para o futuro, embora reconheça que há muito a ser feito, notadamente no desenvolvimento do mercado de carbono.
Com uma abordagem proativa em relação ao fenômeno El Niño, que promete trazer novos desafios climáticos, o governo brasileiro direcionou consideráveis investimentos para a resiliência climática, incluindo um aumento impressionante de 1.400% em recursos para a contenção de encostas desde 2019. Ao final, a coletiva deixou claro que, apesar de obstáculos, o país está comprometido em avançar em direção a um desenvolvimento sustentável, com um foco renovado em políticas ecológicas e inclusivas.





