Goldman Sachs reduz participação na Oncoclínicas e revela contexto delicado após pedido de recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões com 795 credores.

A Oncoclínicas, rede de clínicas especializada no tratamento de câncer, anunciou na noite dessa quarta-feira uma significativa alteração na participação do banco americano Goldman Sachs em suas ações. O Goldman, que anteriormente detinha cerca de 62,9 milhões de ações, correspondentes a 5,55% do total de capital da empresa, agora reduz essa cifra para aproximadamente 7,9 milhões de papéis, o que representa apenas 0,70%. Essa mudança permeia um contexto financeiro delicado para a Oncoclínicas, que, na semana passada, solicitou recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida que soma R$ 5,1 bilhões, envolvendo 795 credores.

É importante destacar que a saída do Goldman Sachs, embora significativa em números, não indica que o banco está se desvinculando completamente da Oncoclínicas. A redução se refere especificamente à participação da GLQ Broad Street, uma de suas entidades de investimento. Contudo, outra unidade ligada ao Goldman, o fundo Josephina I, ainda mantém uma participação considerável com 55 milhões de ações, ou 4,845% do capital da clínica. Esses papéis foram adquiridos em uma operação privada, divulgada em julho, demonstrando que o banco ainda tem interesse na companhia, embora em uma estrutura diferente.

A notificação da Oncoclínicas ressalta que essa movimentação visa apenas ajustes financeiros e não busca alterar a estrutura de controle ou interferir na administração da empresa. O Goldman Sachs esclareceu que não tem planos de aumentar sua participação na Oncoclínicas além do que já foi comunicado.

A situação financeira da Oncoclínicas tornou-se crítica, dado o montante considerável das dívidas e a necessidade urgente de reestruturação. Os débitos abrangem desde financiamentos com instituições bancárias, faturas pendentes com fornecedores de medicamentos, até obrigações resultantes de fusões realizadas nos últimos anos. Até o momento, um grupo que representa cerca de 37% dos credores envolvidos já sinalizou adesão à proposta de recuperação, um passo crucial para o seguimento do processo e recuperação da saúde financeira da empresa.

A movimentação do Goldman Sachs também se concretizou através de um “total return swap”, um instrumento financeiro que permite ao banco acompanhar o desempenho das ações sem necessariamente precisar adquirir os papéis diretamente. Essa estratégia evidencia os desafios do mercado e as dinâmicas financeiras que envolvem grandes instituições e empresas em reestruturação. Anteriormente, o Goldman Sachs chegou a controlar 93% da Oncoclínicas, antes de sua abertura de capital em 2021, o que torna seus passos na companhia ainda mais relevantes para o futuro da rede.

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