Destacam-se entre os senadores que mais se beneficiaram com essas emendas Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, que é um estreito aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Rocha também atuou como relator da indicação de Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). É importante ressaltar que, como a votação é secreta, não é possível identificar quais senadores se opuseram à indicação do advogado-geral.
No ano anterior, o panorama foi bastante diferente: o governo não conseguiu liberar recursos significativos durante o mesmo intervalo, devido à aprovação tardia do Orçamento, que só foi concluído em março e cuja liberação de verbas foi lenta. Em 2024, as liberações chegaram a R$ 2 bilhões, ajustados de acordo com o IPCA. Em contrapartida, no ano de 2023, o valor empenhado nesse mesmo período mal atingiu R$ 7,9 milhões.
Apesar da recorde liberação de recursos, o esforço do governo não foi suficiente para garantir a aprovação de Jorge Messias, que acabou sendo rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis — um resultado que significou uma derrota de sete votos além do necessário para sua confirmação. Com isso, Messias se tornou o sexto indicado rejeitado pelo Senado para uma vaga no STF, uma ocorrência que remete a um passado distante, sendo que as demais rejeições haviam acontecido no século XIX.
Desde a criação do STF em 1890, apenas cinco outras indicações presidenciais foram barradas, todas em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. A rejeição de Messias ocorreu em meio a articulações que envolviam Davi Alcolumbre, com relatos de que ele teria contatado senadores de diferentes espectros políticos para aumentar os votos contrários à indicação.
Antes da data da sabatina, Alcolumbre havia inicialmente agendado a sabatina para 10 de dezembro, mas essa data foi cancelada poucos dias antes, em 2 de dezembro. O desenrolar dos acontecimentos demonstra a complexidade das articulações políticas no Senado e a influência de figuras chave na dinâmica de aprovações no país.







