Fintechs brasileiras enfrentam oscilações no mercado após lucros recordes
Em maio, o desempenho das fintechs brasileiras listadas nas bolsas norte-americanas apresentou um cenário polarizado. Apesar de lucros recordes no primeiro trimestre de 2026, que surpreenderam positivamente o mercado, o aumento da inadimplência e preocupações com o cenário econômico trouxeram incertezas. Dentre as sete empresas, o PicPay destacou-se, registrando uma impressionante alta de quase 20%, enquanto outras sofreram perdas significativas.
O Inter, por exemplo, teve a pior performance entre as listadas na Nasdaq. Suas ações caíram de US$ 7,52 no início do mês para US$ 6,17 ao final, representando uma queda de 18%. Essa debacle se acentuou em 19 de maio, quando os papéis chegaram a ser comercializados a US$ 5,77. Mesmo com um lucro líquido recorde de R$ 395 milhões, crescimento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior, a empresa enfrentou um descontentamento dos investidores devido a uma inadimplência acima de 90 dias que atingiu 5,1%. A gestão do Inter justificou o aumento da inadimplência à expansão da sua carteira de crédito, mas os investidores adotaram uma postura precavida diante dos dados.
Em contrapartida, o PicPay, que também está listado na Nasdaq, apresentou um desempenho robusto. As ações saíram de US$ 9,28, encerrando o mês em US$ 11, um crescimento de 18,53%. Essa valorização não apenas se destacou em meio a um cenário volátil, mas também sinalizou uma transição de uma fintech em busca de crescimento veloz para uma operação focada em gerar resultados consistentes, destacando-se pela adoção de ferramentas de Inteligência Artificial no atendimento e na análise de crédito.
As ações da Nu Holdings, controladora do Nubank, registraramm queda de 7,28%, apesar de reportar uma receita recorde de US$ 5 bilhões e um lucro de US$ 871 milhões. Em contrapartida, a XP Inc. também viu suas ações recuarem, embora tenha reportado um lucro de R$ 1,1 bilhão. As preocupações do mercado estavam relacionadas à redução das margens e ao ritmo mais lento de captação de novos recursos.
Enquanto isso, o Agibank conseguiu um avanço de 7,35% nas suas ações, impulsionado pela ampliação de suas operações no crédito consignado, uma modalidade considerada de menor risco. As companhias Stone e PagBank também mostraram sinais de recuperação após uma queda inicial no mês, com os preços das ações aumentando após a divulgação de dados de crescimento e redução de despesas.
No geral, o S&P 500 subiu 1,51% em maio, refletindo uma performance positiva das bolsas, com a Nasdaq liderando essa recuperação, impulsionada por desenvolvimentos promissores em setores como semicondutores e Inteligência Artificial. A combinação de fatores, incluindo acordos diplomáticos e diminuição nos preços do petróleo, ajudaram a restaurar a confiança no mercado.





