Iniciando seu depoimento, Gilberto descreve a figura paterna com uma mistura de reverência e carinho. Segundo ele, José tinha uma personalidade que poderia ser classificada como “sisuda”, mas, ao mesmo tempo, não era completamente austera. O artista ressalta a “compenetração” do pai e sua parcimônia tanto na expressão quanto na fala, características que moldaram a maneira como Gil percebe o mundo.
Na relação familiar, o cantor destaca a dedicação de José, que sempre apoiou sua esposa, Claudina Passos Gil Moreira, na criação dos filhos. Gilberto enfatiza que o pai se destacou por sua abordagem delicada, nunca aplicando punições físicas em seus filhos. Essa atenção e carinho contribuíram para um ambiente familiar saudável e afetuoso.
A relação entre Gil e José ganhou novos contornos durante a adolescência do cantor. Em suas palavras, “Quando eu me tornei adolescente, ele se tornou propriamente amigo meu”. Essa amizade, segundo Gil, perdurou até o fim da vida do pai, que faleceu em 1991, deixando uma marca indelével nas memórias de seu filho.
Nascido em 1913 e formado em Medicina pela Universidade da Bahia, José Gil Moreira passou grande parte de sua carreira em Ituaçu, na região interiorana da Bahia, onde Gilberto passou parte de sua infância. Além da medicina, José também tinha um engajamento político e foi um dos incentivadores do filho durante sua candidatura à Câmara dos Vereadores de Salvador, em 1988.
Esta não é a primeira vez que Gilberto Gil recorre à memória de seu pai em datas significativas. Em 2025, ele já havia compartilhado uma antiga fotografia ao lado de José, repleta de emoção, especialmente porque se tratava do primeiro Dia dos Pais após o falecimento de Preta Gil. Assim, o cantor continua a celebrar e resgatar a memória de seu pai, mostrando como as raízes familiares influenciam sua arte e sua vida.
