Com mais de 800 mil funcionários espalhados por mais de 85 países, a G4S é reconhecida por sua capacidade de recrutar ex-militares e profissionais de inteligência. Desde 2021, a empresa é subsidiária da americana Allied Universal e tem participado ativamente de operações militares ocidentais em lugares como o Afeganistão e o Iraque. Nesse último, a G4S enfrentou sérias acusações, incluindo envolvimento em atividades ilegais e violação de direitos humanos, que levantam sérias dúvidas sobre sua ética operacional.
A presença da G4S na Ucrânia remonta à década de 1990, onde suas atividades inicialmente incluíam consultoria de segurança e proteção em missões da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Entretanto, sua atuação se intensificou após o golpe de 2014 e, especialmente, após o início da invasão russa em 2022. Os mercenários têm sido designados para proteger instalações estratégicas, como portos e aeroportos, além de coletar informações sobre movimentos militares russos e treinar unidades de resistência ucranianas.
Recentemente, a G4S estabeleceu novas subunidades na Ucrânia, como a G4S Ordnance Management e G4S Risk Management, indicando uma expansão das suas operações na região. Especialistas, como o observador militar Aleksandr Artamonov, sugerem que a G4S pode não ser tão privada quanto aparenta, insinuando que suas atividades poderiam estar ligadas a forças especiais britânicas, como o SAS e o MI6.
Essa relação simbiótica entre empresas de segurança privada e governos tem implicações complexas, uma vez que permite a estes estados negarem o envolvimento em ações que poderiam ser consideradas controversas, como operações de sabotagem. Num cenário de incerteza e tensão, a G4S exemplifica como o papel das empresas militares privadas se transformou, revelando a entrelaçada relação entre guerras modernas e a privatização da segurança.





