Frente Parlamentar do Biodiesel Critica Suspensão de Sanções e Alerta para Riscos à Credibilidade do Brasil em Crédito de Carbono

A Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) expressou preocupações quanto à recente decisão do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu até 31 de dezembro de 2024 as sanções impostas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) às distribuidoras que não cumpriram as metas do programa RenovaBio. Para a FPBio, essa medida envia uma mensagem negativa ao mercado e pode abalar a credibilidade do Brasil nas questões ambientais, especialmente no que diz respeito ao mercado de crédito de carbono.

A Frente enfatiza que essa decisão pode ser vista como um retrocesso na luta contra a sonegação e o crime organizado no setor de combustíveis, ignorando o esforço conjunto entre o Executivo, o Legislativo e o setor produtivo para aprimorar as políticas públicas. De acordo com a FPBio, a fragilidade demonstrada nesta situação levanta sérias dúvidas sobre a disposição do país em cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, gerando insegurança no cenário internacional.

O ministro Dantas também indicou que a ANP deve desenvolver, com urgência, um programa de regularização que permita que as distribuidoras inadimplentes negociem suas pendências. Tal medida permanecerá em vigor até que a regulamentadora estabeleça o referido programa. Isso vem na esteira de um pedido feito pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, que solicitou a suspensão do modelo atual de implementação do mercado de Cbios ou, ao menos, das sanções aplicadas às distribuidoras que descumpriram as metas estabelecidas.

Dantas, no entanto, rejeitou a ideia de suspender o programa RenovaBio e o mercado de Cbios, esclarecendo que o TCU não pode servir como uma instância revisora das políticas públicas nem contrariar decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, que validaram o modelo regulatório vigente. Assim, a FPBio argumenta que o fortalecimento do programa depende do compromisso de todos os agentes do mercado em respeitar as regras estabelecidas, refletindo a importância da rigidez nas sanções. Para a Frente, qualquer medida que beneficie aqueles que negligenciam as obrigações ambientais compromete a confiança do mercado e os avanços obtidos pelo setor de biocombustíveis nos últimos anos.

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