O governo francês levanta preocupações significativas sobre os impactos que o acordo pode provocar na agricultura europeia. Nos últimos meses, líderes franceses têm discutido a criação de um fundo destinado a compensar produtores rurais da Europa por eventuais perdas decorrentes da implementação do tratado. Esse tipo de recurso não é novidade: em 2021, a UE designou 5,4 bilhões de euros, aproximadamente R$ 33 bilhões, para proteger setores afetados pela saída do Reino Unido do bloco. Além disso, em 2019, uma proposta de alocação de 1 bilhão de euros foi feita para equilibrar os efeitos do acordo com o Mercosul.
No entanto, a resposta dos agricultores europeus à criação desse fundo de compensação tem sido negativa. Muitos deles se sentem descontentes com a abordagem da Comissão Europeia, acusando-a de tentar “comprar seu silêncio” em relação às preocupações que já expressaram. Apesar de alguns negociadores franceses considerarem a possibilidade de compensações uma ideia válida, a resistência à ratificação do acordo persiste. A legislação europeia permite que, caso 45% dos Estados membros, representando 35% da população da UE, se opuserem ao tratado, ele pode ser bloqueado.
Ainda que as negociações entre a UE e o Mercosul pareçam ganhar novo impulso, as últimas declarações de Barnier sinalizam que chegar a um consenso satisfatório para todos os envolvidos será um desafio, dadas as complexidades políticas e sociais. A situação exige um delicado equilíbrio entre os interesses econômicos da Europa e as exigências dos agricultores, refletindo a tensão contemporânea entre globalização e proteção de setores locais.





