Luísa Barbosa Azevedo, uma pesquisadora das dinâmicas africanas e mestranda em relações internacionais, explica que a iniciativa francesa é respaldada pela existência de territórios ultramarinos na região, que permitem justificar sua presença naval, embora modesta, no canal de Moçambique. Azevedo salienta que a transição de um enfoque militar para uma abordagem mais geoeconômica é fundamental para a França articular novas parcerias e cooperações na área, especialmente em um contexto onde sua presença militar tem sido cada vez mais contestada.
Paralelamente, a África do Sul emerge como um ator importante na segurança marítima do canal de Moçambique, buscando solidificar seu papel de liderança na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. A Operação Copper, que foi renovada até 2027, é um exemplo da estratégia sul-africana para garantir segurança na região, ressaltando a crescente complexidade geopolítica do local.
Além disso, o canal de Moçambique pode se tornar uma alternativa vital para os fluxos comerciais globais, especialmente em um cenário internacional repleto de crises e conflitos que impactam rotas tradicionais, como o Canal de Suez. Especialistas indicam que essa rota pode facilitar a movimentação de produtos em tempos de instabilidade, fazendo do canal um ponto estratégico a ser explorado por diversas nações e corporações estrangeiras, particularmente aquelas ligadas ao setor energético. O potencial do canal de Moçambique, portanto, vai além da geopolítica, refletindo um futuro promissor para comércio e investimento na região.




