A pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Democracia em Xeque aponta que, para os entrevistados, a atitude do senador se mostrou mais preocupada com sua própria trajetória eleitoral do que com a defesa das empresas afetadas pelas tarifas. Além disso, a inclusão de menções ao sistema de pagamentos Pix no dossiê foi mal recebida, considerando-se que isso representaria um alinhamento a interesses do setor privado americano.
Os efeitos desse episódio foram profundos e podem ser sentidos nas mais recentes investigações de opinião pública. Após três semanas seguidas de polêmicas sobre sua agenda, Flávio Bolsonaro é visto como alguém que necessita constantemente explicar suas ações, além de omitir informações relevantes. Isso, associado a controvérsias familiares—como a divulgação de declarações problemáticas envolvendo sua esposa e outros membros da família—contribui para uma percepção de desconfiança em relação à sua autonomia política.
Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem conseguido se beneficiar da situação. Embora não desperte grande entusiasmo entre os eleitores pendulares, sua imagem é frequentemente associada a políticas sociais que visam melhor atender aos interesses do Brasil. Para esses eleitores, a diferença entre manter boas relações com os Estados Unidos e se submeter a elas ficou mais clara. A defesa do país feita por Lula, mesmo com críticas ao que alguns veem como um discurso “antiamericanista”, foi considerada positiva.
Além disso, outras questões, como o envolvimento de Jaques Wagner em um suposto esquema de corrupção, parecem ter perdido força nas conversas, especialmente após sua saída da liderança do governo. Em suma, Flávio Bolsonaro encontra-se agora em um dilema delicado que exige uma reavaliação de sua estratégia política se quiser reconquistar a confiança de um eleitorado volátil e exigente.
