Flávio Bolsonaro deve depor à Polícia Federal hoje por calúnia contra Lula, após post em redes sociais associando o presidente a crimes gravíssimos.

O senador Flávio Bolsonaro, que também se posiciona como candidato à presidência da República, está prestes a depor na tarde desta terça-feira à Polícia Federal. O depoimento faz parte de um inquérito que investiga Flávio por supostas declarações caluniosas dirigidas ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oitiva foi estipulada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que é o relator do caso.

De acordo com informações emitidas pela assessoria do Supremo, a audiência permanece confirmada, apesar de um pedido de adiamento apresentado pela defesa do senador, que não forneceu qualquer justificativa adequada para a não realização da oitiva. O ministro Moraes, então, decidiu que o depoimento fosse efetuado na data agendada.

O cerne da investigação surgiu após Flávio ter postado uma mensagem em sua conta na rede social X, onde insinuava que Lula estaria envolvido em atividades criminosas relacionadas a tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro. A postagem foi realizada em janeiro, coincidentemente no momento em que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi detido por forças norte-americanas e levado a um presídio nos Estados Unidos.

Após o acontecimento, o Ministério da Justiça solicitou a abertura de um inquérito por calúnia, e Moraes instaurou o procedimento em abril, contando com um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Na publicação, Flávio afirmou: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. Essa frase acompanhava uma montagem com a foto de Maduro e manchetes insinuando a responsabilidade política de Lula.

Em junho, a Polícia Federal divulgou as conclusões do inquérito, apontando que o senador ultrapassou os limites da crítica política ao fazer uma “falsa imputação de crime” contra o presidente. Os investigadores destacaram que a postagem sugere que Flávio se referia à possibilidade de delação premiada, insinuando que Lula teria ligação com os crimes mencionados.

A responsabilização de Flávio pela mensagem é clara, conforme afirmam os investigadores, com base nas manifestações públicas do senador e em defesas apresentadas por sua equipe. Na conclusão do inquérito, a PF corroborou que a conduta de Flávio caracteriza o crime de calúnia, conforme descrito no artigo 138 do Código Penal, o que se agrava por tratar-se de ofensa ao presidente da República, amplificada pela forma como a mensagem foi divulgada.

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