Flávio Bolsonaro atrasa convite a Tereza Cristina e compromete chapa para 2026, enquanto legendas do Centrão optam pela neutralidade na disputa presidencial.

A recente possibilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS) assumir a vice-presidência na chapa liderada por Flávio Bolsonaro (PL) foi frustrada, e a lentidão do presidenciável em formalizar o convite tem sido apontada como um dos principais fatores para essa recusa. A situação se desenrolou durante uma reunião em Brasília, onde Tereza foi convocada pela primeira vez para discutir a composição da chapa, apenas dias antes do prazo estipulado pela legislação eleitoral para a definição dos candidatos.

Interlocutores próximos ao processo afirmam que, apesar de Flávio ter mencionado a senadora em diversas ocasiões, foi somente na última quarta-feira, 29 de julho, que ele realmente procurou Tereza para conversar pessoalmente. Este atraso foi interpretado como crítico, principalmente porque, no discurso público, o presidente do PP, Ciro Nogueira, indicou que a intenção era manter a neutralidade do partido nas eleições. No entanto, nos bastidores, a lentidão em formalizar o convite foi considerada um fator determinante que inviabilizou a negociação.

A articulação para trazer Tereza Cristina à chapa de Flávio contava com o suporte de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, além do fortalecimento por parte de empresários do agronegócio, um setor que sempre teve uma relação estreita com a senadora. Apesar do entusiasmo inicial, a inação de Flávio levou a um esfriamento das negociações, o que parece ter contribuído para a decisão negativa do partido em relação à vice.

No encontro, Tereza afirmou que aceitaria o convite, mas condicionou sua aceitação à aprovação de seu partido, o que acabou não se concretizando. Essa falta de alinhamento resultou em uma reação negativa, culminando na escolha de manter uma postura neutra na disputa. Flávio Bolsonaro, que até chegou a descrever Tereza como um “sonho de consumo” para sua chapa, se depara agora com o desafio de concretizar outra alternativa para a vice-presidência, sendo cogitados nomes como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, que também enfrentou resistência.

Com a pressão crescente e o prazo se aperta, as especulações aumentam sobre quem poderá ser o vice de Flávio. Em um momento delicado, a estratégia da chapa pode finalmente se cristalizar se ele decidir optar por Rogério Marinho, seu atual coordenador de campanha, numa abordagem que pudesse se apresentar como uma “chapa-pura” do PL.

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