Interlocutores próximos ao processo afirmam que, apesar de Flávio ter mencionado a senadora em diversas ocasiões, foi somente na última quarta-feira, 29 de julho, que ele realmente procurou Tereza para conversar pessoalmente. Este atraso foi interpretado como crítico, principalmente porque, no discurso público, o presidente do PP, Ciro Nogueira, indicou que a intenção era manter a neutralidade do partido nas eleições. No entanto, nos bastidores, a lentidão em formalizar o convite foi considerada um fator determinante que inviabilizou a negociação.
A articulação para trazer Tereza Cristina à chapa de Flávio contava com o suporte de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, além do fortalecimento por parte de empresários do agronegócio, um setor que sempre teve uma relação estreita com a senadora. Apesar do entusiasmo inicial, a inação de Flávio levou a um esfriamento das negociações, o que parece ter contribuído para a decisão negativa do partido em relação à vice.
No encontro, Tereza afirmou que aceitaria o convite, mas condicionou sua aceitação à aprovação de seu partido, o que acabou não se concretizando. Essa falta de alinhamento resultou em uma reação negativa, culminando na escolha de manter uma postura neutra na disputa. Flávio Bolsonaro, que até chegou a descrever Tereza como um “sonho de consumo” para sua chapa, se depara agora com o desafio de concretizar outra alternativa para a vice-presidência, sendo cogitados nomes como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, que também enfrentou resistência.
Com a pressão crescente e o prazo se aperta, as especulações aumentam sobre quem poderá ser o vice de Flávio. Em um momento delicado, a estratégia da chapa pode finalmente se cristalizar se ele decidir optar por Rogério Marinho, seu atual coordenador de campanha, numa abordagem que pudesse se apresentar como uma “chapa-pura” do PL.
