Jogo Compulsivo: Empresas enfrentam crises emocionais e afastamentos crescentes, enquanto campanhas de prevenção tentam mitigar impactos no ambiente de trabalho.

Crescente Crise do Jogo Compulsivo Impacta o Ambiente de Trabalho

Nos últimos anos, o fenômeno do jogo compulsivo tem se intensificado e gerado graves consequências nas relações de trabalho, abrangendo uma variedade de setores. Empresas estão enfrentando um aumento significativo nos pedidos de adiantamento salarial, queda de produtividade e, em casos extremos, afastamentos de funcionários devido às consequências devastadoras da ludopatia. Os departamentos de Recursos Humanos (RH) relatam casos de endividamento extremo e crises emocionais que têm um impacto direto no ambiente de trabalho.

As estatísticas sobre o crescimento dessa preocupação são alarmantes. Situações como a de um funcionário que desaparece após receber o salário tornaram-se comuns, levantando bandeiras de alerta em diversas entidades patronais e sindicais. Associações, como a Associação Brasileira de Recursos Humanos e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, têm presenciado um aumento nos pedidos de adiantamento e um claro declínio na atenção e bem-estar emocional dos trabalhadores.

Diante da falta de protocolos estabelecidos, muitas organizações se veem obrigadas a buscar orientação externa e encaminhar seus funcionários para atendimentos especializados, incluindo serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A resposta das empresas é uma tentativa de minimizar o adoecimento interno; grandes corporações como Ypê, Gerdau e Whirlpool têm promovido campanhas de conscientização e acolhimento, incentivando diálogos abertos sobre os riscos associados a apostas, especialmente aquelas facilitadas pelas plataformas digitais.

Embora os afastamentos reconhecidos pelo INSS ainda sejam relativamente baixos, a tendência é preocupante: em 2025, as solicitações aumentaram quase 60%. Especialistas alertam que o jogo compulsivo frequentemente se associa a outros transtornos mentais, como depressão e ansiedade, o que eleva ainda mais o risco de faltas e acidentes laborais.

Os sindicatos também têm se mobilizado para enfrentar a questão. A Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental e Urbana tem seguido uma campanha permanente, especialmente após casos sérios, que incluem até suicídios, entre os trabalhadores afetados. A fácil acessibilidade às apostas online agrava o problema, tornando ainda mais difícil sua prevenção.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes elaborou uma cartilha para ajudar pequenos empresários a entenderem como acolher e prevenir conflitos trabalhistas em situações relacionadas ao jogo compulsivo. Nesse contexto, as discussões judiciais estão em andamento sobre se a ludopatia deve ser tratada, nas demissões, como uma forma de dependência química.

Em suma, a crescente incidência de distúrbios relacionados ao jogo compulsivo exige que as empresas adotem uma abordagem proativa, priorizando acolhimento e suporte a seus colaboradores, em vez de punições diretas. A saúde mental no trabalho é uma questão que precisa ser discutida com urgência, à medida que a cultura do jogo se torna cada vez mais disseminada na sociedade contemporânea.

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